Ministro da Defesa diz que o Governo investe nas Forças Armadas “a pensar na paz”
14 de jan. de 2025, 10:26
— Lusa/AO Online
No Regimento de
Cavalaria n.º 6, em Braga, onde presidiu à sessão de abertura da edição
deste ano do Dia da Defesa Nacional, Nuno Melo foi questionando pelos
jornalistas sobre as declarações da vice-secretária-geral da NATO, que
defendeu que os aliados da Aliança Atlântica “têm de mudar e passar a
ter um pensamento de guerra”.“Eu mantenho
um pensamento de paz e é para isso que trabalhamos todos os dias. Quando
investimos nas Forças Armadas (FA) é a pensar na paz. E é a pensar na
paz, naquilo que tem que ver com mecanismos de dissuasão e defesa, mas
também com a necessidade de as Forças Armadas, todos os dias, poderem
cumprir missões onde são insubstituíveis, dentro e fora de fronteiras”,
afirmou o ministro da Defesa.Quando o
Governo investe nas FA, segundo Nuno Melo, pensa também nas missões de
busca e salvamento, nas ações de combate ao tráfico de droga e de
pessoas, no transporte de órgãos para transplante, no apoio à emergência
médica nos Açores e na Madeira e pensa ainda nas missões de paz em que
os militares portugueses estão empenhados no âmbito da NATO, da ONU, da
União Europeia ou da Frontex.“Não
invalida, mas, eu diria, não invertendo a ordem de prioridades, [pensar]
na necessidade das Forças Armadas, em caso de guerra, terem os melhores
equipamentos, os melhores meios para poderem levar a cabo essas missões
e defender-se, sendo por seu lado eficazes. E esse é um grande
esforço”, vincou o ministro da Defesa Nacional.Confrontado
com o contexto internacional, nomeadamente com a tomada de posse,
dentro de dias, de Donald Trump como presidente dos EUA e o facto de
este defender mais investimento na Defesa por parte dos membros da NATO,
Nuno Melo reiterou a ideia da paz.“Nenhum
militar, nenhum ministro da Defesa, nenhum Governo lúcido deseja outra
coisa que não seja a paz. Portanto, qualquer investimento e qualquer
mensagem são sempre a pensar na paz. Quando se investe é a pensar na
paz. E é nisso que Portugal está à altura das suas circunstâncias. Como?
Antecipando num ano o propósito de investimento de 2% na Defesa
Nacional. E faremos um grande esforço”, declarou o governante.Nuno
Melo destacou que esse “esforço” do Governo permitiu aumentar salários e
suplementos de militares, no sentido de atrair mais jovens e de manter
os militares nas FA, salientando estar também em curso investimentos na
requalificação de edifícios das FA, sobretudo em Lisboa e no Porto, que
estão devolutos, para uso de militares.Além
disso, o Governo está também “a investir muito” nas indústrias da
defesa, em investigação, em tecnologia e na criação de “todo um quadro
em que as Forças Armadas (FA) sejam lidas como estando na primeira linha
das prioridades da política”."A mensagem
que quero deixar é: estamos a investir para estarmos à altura das nossas
circunstâncias no contexto dos nossos aliados, dando também uma
mensagem aos nossos jovens para que percebam que vale a pena apostar nas
Forças Armadas”, sublinhou o ministro da Defesa.O
modelo de profissionalização que o atual Governo adotou permitiu
estancar e inverter o ciclo de saídas das Forças Armadas, disse.“O
poder político definiu as necessidades militares em cerca de 30, 32 mil
homens e mulheres. Quando tomamos posse, existiam apenas 22 mil
militares nas Forças Armadas. Em oito anos Portugal tinha perdido mais
de 5 mil militares. Nós entramos no Governo a investir decididamente nas
Forças Armadas e esse ciclo inverteu-se. Neste momento estão a entrar
mais jovens nas Forças Armadas do que a sair”, revelou Nuno Melo.