Ministro da Defesa diz que houve "evolução positiva" na descontaminação da ilha Terceira
Lajes
19 de fev. de 2019, 14:52
— Lusa/AO Online
“Houve
uma evolução positiva, porque foi possível identificar algum trabalho
que era necessário fazer”, adiantou João Gomes Cravinho, em declarações
aos jornalistas, à margem de uma reunião com o presidente do Governo
Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira.Em
causa está a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória, na
ilha Terceira, provocada pela Força Aérea norte-americana na base das
Lajes, identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos e
confirmada, em 2009, pelo LNEC, que monitoriza desde 2012 o processo de
descontaminação.Em
março de 2018, o então ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes,
anunciou um novo estudo sobre a contaminação da ilha Terceira, que seria
elaborado pelo LNEC, em colaboração com o Laboratório Regional de
Engenharia Civil (LREC).O
estudo, que segundo o Ministério da Defesa Nacional deveria estar
concluído em dezembro de 2018, tinha como objetivo analisar 33 locais,
que resultavam de um cruzamento de informação já conhecida de outros
relatórios e de novas suspeitas levantadas junto da opinião pública.Segundo
João Gomes Cravinho, “acabou por não ser possível respeitar esse
calendário”, mas o LNEC e o LREC “têm estado a trabalhar com grande
intensidade no estudo”.“Houve
dois relatórios intercalares. Não temos ainda o relatório final. Os
relatórios intercalares foram partilhados com o Governo Regional e com o
Ministério dos Negócios Estrangeiros, que utilizou o relatório
intercalar nas suas conversas com os Estados Unidos, no âmbito da
comissão bilateral”, avançou.O
ministro da Defesa Nacional frisou que o “assunto não está concluído,
mas está a evoluir”, acrescentando que qualquer denúncia ou preocupação
que existir sobre esta matéria será “devidamente investigada”.O
embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa, George Glass, disse
recentemente, em declarações à agência Lusa, que o país estava a
trabalhar de forma afincada para terminar os trabalhos de
descontaminação na ilha Terceira."Nós
já concluímos seis locais, vamos concluir outros dois e agora resta uma
mão cheia", disse, referindo que o Governo Regional dos Açores deveria
"fazer um anúncio em breve" sobre esta matéria.Questionado
hoje sobre esse anúncio, o presidente do executivo açoriano disse que
não tinha ouvido as declarações do embaixador norte-americano.Vasco
Cordeiro salientou que os relatórios técnicos existentes sobre a
descontaminação dão conta de uma “evolução positiva”, mas também
demonstram que “ainda há trabalho para fazer e ainda há sítios que
necessitam de intervenções adicionais”. “O
que nós esperamos é que da mesma forma que foi feito este trabalho até
aqui e que, segundo critérios técnicos, produziu um resultado positivo,
seja possível no futuro continuar esse trabalho, de forma a resolver
todos os assuntos que interessa resolver”, apontou.O
presidente do Governo Regional dos Açores realçou ainda o facto de ter
sido possível encontrar “pontos de convergência” sobre a necessidade de
“haver trabalho feito por parte da Força Aérea norte-americana” e de se
terem definido “critérios aceites por ambas as partes” para “aferir se o
trabalho que está a ser feito produz ou não resultados”.