Ministro da Defesa apela a Rússia que volte ao diálogo com a NATO
19 de out. de 2021, 14:05
— Lusa/AO Online
Em declarações à
Lusa no Instituto de Defesa Nacional, em Lisboa, onde participou num
seminário do Centro do Atlântico sobre o tema “Desconstruir o
ecossistema multilateral de Segurança no Atlântico”, João Gomes Cravinho
abordou a decisão russa de suspender a sua missão junto da NATO e de
encerrar a representação da Aliança Atlântica em Moscovo. “Eu
penso que é uma reação desproporcionada e que não é sensata. Eu penso
que é fundamental o diálogo entre a NATO e a Rússia, e naturalmente que
esse diálogo terá que ter lugar. Para tal, é importante haver diplomatas
russos”, salientou.O ministro da Defesa
afirmou ainda que não tem dúvidas que “mais cedo ou mais tarde, por um
pretexto qualquer que seja, os diplomatas russos voltarão a ter lugar
junto da NATO”, adiantando que considera “desnecessário este tipo de
manifestação um pouco teatral por parte da Rússia”. “Eu
tenho pena, e o apelo que faço é que a Rússia saiba voltar ao diálogo
com a NATO, um diálogo que, infelizmente, a Rússia não tem querido
alimentar no último ano ou dois, mas que julgo importante”, indicou. Na
segunda-feira, a Rússia anunciou a suspensão da sua missão junto da
NATO, bem como o encerramento da representação da Aliança Atlântica em
Moscovo, após a recente retirada de credenciais a oito diplomatas russos
por alegada espionagem. “No seguimento de
certas medidas tomadas pela NATO, deixaram de existir as condições
básicas para trabalhar em conjunto", declarou o ministro dos Negócios
Estrangeiros russos, Serguei Lavrov, precisando que estas medidas
entrarão em vigor, em princípio, a partir de 01 de novembro.No
passado dia 06 de outubro, a NATO avançou que tinha retirado as
credenciais a oito elementos da missão da Rússia junto da Aliança
Atlântica, justificando que as pessoas em questão trabalhavam “de forma
não declarada” como operacionais dos serviços de informações russos. “Podemos
confirmar que retirámos as credenciais a oito membros da missão russa
junto da NATO, que eram operacionais não declarados dos serviços de
informações russos”, afirmou então uma fonte oficial da organização.Nesse
mesmo dia, a Aliança Atlântica também reduziu para 10 o número de
credenciais para representantes que podiam ser solicitadas por Moscovo, o
que representou uma diminuição da equipa da missão russa destacada na
sede da NATO, localizada em Bruxelas.