Ministro da Ciência contra burocracias nas inovações científicas
28 de jun. de 2021, 15:02
— Lusa/AO online
No
encontro nacional de ciência e tecnologia, Ciência 2021, Manuel Heitor
lembrou os “tempos sem precedentes” que se vivem, olhando para os
efeitos positivos da crise pandémica na ciência como a capacidade de se
ter conseguido “comprimir o tempo em que se fez uma vacina”.“Ficou
bem claro que isso foi feito devido a uma articulação inédita na
história da humanidade entre a ciência mais fundamental em articulação
com elementos disruptivos da nossa sociedade, ou seja, com empresas
inovadoras certamente em articulação com grandes empresas para a difusão
e industrialização da vacina”, sublinhou o ministro da Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior no discurso de abertura do encontro que
hoje começou em Lisboa.Para
o governante, é “tempo de refletir” sobre as “lições da pandemia” e
perceber de que forma se pode melhorar a conjugação entre a ciência
fundamental e as “disrupções necessárias nos mercados”, mas também como
melhor conjugar a transição digital com os desafios da transição
ecológica.“Se
as inovações precisam de elementos disruptivos no mercado precisam
também de nova ciência e novos conhecimentos. Isto leva-nos a tirar
ilações quanto aos quadros regulatório e de simplificação. Precisamos
cada vez mais de batalhar contra a burocracia - simplificando,
simplificando, simplificando - e tentando não impor barreiras ao
desenvolvimento científico e à inovação de base tecnológica, social ou
organizacional”, defendeu durante o encontro no Centro de Congressos de
Lisboa.Na
sua intervenção lembrou ainda os nove manifestos e alguns dos programas
lançados durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia,
reconhecendo que “a Europa precisa de mais cientistas”, mas só o
conseguirá com melhores condições de trabalho.Com
o mote de "Ciência que faz o amanhã e transforma a economia", a
conferência contou no primeiro dia com vários oradores como John Gordon,
líder do laboratório de inovação digital da Pfizer, que avisou logo que
não iria falar sobre vacinas nem medicamentos.O
diretor da farmacêutica lembrou algumas das mudanças registadas nos
últimos cinco anos, como a capacidade de se realizarem "diagnósticos
cada vez mais precisos" e o facto de, em alguns países, os utentes já
terem sempre consigo, em aplicações digitais, os seus registos médicos.“Podem andar com as informações, com os seus registos médicos, nos seus telemóveis”, exemplificou o diretor da Pfizer.Quanto
ao futuro, para os próximos cinco anos, John Gordon disse que “a
inovação irá acelerar o futuro na área da saúde”, nomeadamente no que
toca à deteção cada vez mais precoce de doenças e na ajuda de sistemas
robotizados na prevenção.Por
outro lado, acrescentou, através da recolha e tratamento de cada vez
mais dados pessoais, a medicina irá tornar-se também mais personalizada,
podendo ser desenhada à medida de cada paciente.O tratamento da informação de cada pessoa permite criar um algoritmo que pode ajudar a prever os seus riscos de saúde, explicou.A
ciência permite ainda ter sistemas que identifiquem alguns sintomas e
através de aplicações, algumas delas facilmente instaladas nos
telemóveis, será possível a cada pessoa monitorizar o seu estado de
saúde, acrescentou.Nesta
equação, aparece também a telemedicina e as iniciativas financeiras que
permitam às pessoas ter acesso aos serviços de saúde, contou.Também
para o diretor da farmacêutica, o cruzamento entre as novas
tecnologias, que estão em crescimento, e o aparecimento de novas
empresas disruptivas facilitam o aparecimento de novas terapias.O
encontro que hoje começou em Lisboa e termina na quarta-feira reúne
investigadores, empresários, políticos, estudantes e professores.