Ministro da Agricultura quer ação e não as mesmas palavras "depois das tragédias"
Incêndios
27 de set. de 2024, 11:58
— Lusa/AO Online
“Nós
não podemos andar sempre a dizer o mesmo depois das tragédias, nós temos
que fazer”, realçou o governante, em declarações aos jornalistas, em
Moura, no distrito de Beja, à margem de uma conferência.O
Governo, afiançou José Manuel Fernandes, já estava a trabalhar num
plano para a área da floresta, mas, agora, devido aos incêndios
ocorridos nas regiões Norte e Centro do país, vai ser dado outro ritmo a
esse mesmo trabalho.“Já estávamos a
trabalhar nele e, agora, terá de ser acelerado” para ser possível criar
“um pacto nacional para a floresta”, disse, argumentando que “o prazo
dos 90 dias” para concluir este trabalho “é duro”, mas só há uma opção:
“Vamos cumpri-lo”.De acordo com uma
resolução aprovada em Conselho de Ministros, na quinta-feira, o ministro
da Agricultura tem de apresentar, dentro de três meses, este plano de
ação para a floresta, com o objetivo de “dar valor” ao setor e prevenir
incêndios rurais.No final da reunião do
Conselho de Ministros, realizada na quinta-feira, o ministro Adjunto e
da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, disse que o plano que vai
ser desenvolvido por José Manuel Fernandes vai conter “uma estratégia”
para “valorizar a floresta”.Nas
declarações prestadas hoje aos jornalistas, à margem da conferência
comemorativa dos 70 anos da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos,
em cuja sessão de abertura participou, o ministro da Agricultura indicou
que este pacto nacional para a floresta vai definir “um cronograma em
termos de investimentos” ou “legislação que deve ser alterada”.“E
há muitos fatores que contribuem para os incêndios”, lembrou,
argumentando que é preciso ‘olhar’ também para o emparcelamento de
terras e, “antes disso”, para o cadastro.O
governante destacou ainda que “a floresta tem que ter rentabilidade”,
ou seja, “tem uma dimensão económica e, obviamente, também social e
ambiental”, pelo que é preciso esta visão combinada neste setor.Já
na quinta-feira, o ministro Manuel Castro Almeida argumentou que é
necessário “valorizar os produtos florestais, dar rendimento aos
produtores florestais”, pois é convicção do executivo de que é “por aí
que passa o combate aos incêndios”.Nove
pessoas morreram e mais de 170 ficaram feridas em consequência dos
incêndios que atingiram na passada semana, sobretudo, as regiões Norte e
Centro de Portugal. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção
Civil contabilizou oficialmente cinco mortos nos fogos.Os
incêndios florestais consumiram, entre os dias 15 e 20 de setembro,
cerca de 135.000 hectares, totalizando este ano a área ardida em
Portugal quase 147.000 hectares, a terceira maior da década, segundo o
sistema europeu Copernicus.