Ministro da Agricultura defende manutenção do POSEI
5 de set. de 2025, 16:01
— Lusa/AO Online
“O
Quadro Financeiro Plurianual será essencial. O POSEI é importantíssimo,
com os cerca de 77 milhões de euros por ano. Agora há aqui algo
importante. O POSEI não é um favor à região. A Política de Coesão não
são esmolas e nem é um favor. E, neste sentido, tudo faremos para que os
montantes se mantenham, para que o POSEI se mantenha, assim como aquilo
que é o FEADER que dá origem ao PEPAC [Plano Estratégico da Política
Agrícola Comum]”, afirmou José Manuel Fernandes.O
ministro da Agricultura falava em Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira
Grande, nos Açores, na cerimónia comemorativa do 50.º aniversário da
Associação Agrícola de São Miguel.“Nós,
face às conclusões de 2024 do Conselho [Europeu], no fundo demos
segurança ao envelope financeiro, que não vão poder mexer nele no que
diz respeito à agricultura em mais de 80%”, sustentou o ministro, que
alertou, no entanto, para uma Política Agrícola Comum (PAC) que “corre o
risco de ser destruída”, criticando a possibilidade de cada
Estado-membro reforçar os apoios com verbas do seu próprio orçamento de
Estado.E, “está-se a dizer aos mais ricos
que vão poder destruir os mais pobres, porque eles têm dinheiro do
orçamento de Estado para colocarem nos respetivos envelopes nacionais.
Vão existir conflitos entre Estados-Membros desnecessários”, constatou
José Manuel Fernandes.No seu entender, “aquilo que funciona bem, e pode ser melhorado, nunca devia ser alterado”.“Espero
que não haja um retrocesso na Política Agrícola Comum, para depois
dizermos: fizemos asneira e devemos voltar atrás”, alertou o ministro da
Agricultura.Perante os desafios que se colocam, o governante destacou o papel de todos os agentes políticos na defesa da agricultura. "E,
por isso, a nossa solidariedade e o nosso objetivo onde todos somos
importantes: o Governo Regional, o primeiro-ministro, os eurodeputados e
também o presidente do Conselho Europeu, que por acaso é Português, e
que tem neste domínio responsabilidades e, estando nas funções, será ele
que vai levar a proposta para aprovação por unanimidade no respetivo
Conselho", defendeu.Na sua intervenção, o ministro da Agricultura defendeu também a desburocratização do setor."Os
agricultores não podem ser ocupados a preencher papéis quando devem
estar a trabalhar a terra. Nos organismos existem excelentes
funcionários na administração publica. Mas, temos também alguns que
procuram empatar, encravar e olhar para os projetos para ver como é que
os podem chumbar, quando deviam olhar para os projetos e verem como é
que os podem aprovar", sustentou.Reafirmando
o compromisso com o setor, o governante assegurou que os Açores "podem
contar com a solidariedade do Governo", recordando, por exemplo, o
"apoio de 16 milhões de euros para evitar rateios" e garantiu que o
executivo está a trabalhar na simplificação da legislação relacionada
com a sanidade animal para acelerar os processos em colaboração com o
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).José
Manuel Fernandes realçou ainda o papel dos vários dirigentes da
Associação Agrícola de São Miguel, que "foi crescendo com persistência,
resistência, visão, lealdade institucional, mas também com reivindicação
justa".“A agricultura é segurança
alimentar. E neste sentido, face à situação geopolítica, é também
defesa, é inovação, é investigação, é coesão territorial, é indústria e é
emprego que queremos que seja bem remunerado e que atraia os jovens”,
reforçou.