Ministro critica “interferência russa" na campanha eleitoral
Itália/Crise
18 de ago. de 2022, 16:34
— Lusa/AO Online
Luigi
Di Maio declarou que "a interferência do Governo russo nas
eleições italianas – que decorrem em 25 de setembro - é realmente
preocupante”."Que as forças políticas italianas se afastem de forma clara, sem qualquer timidez, da propaganda russa", exortou Di Maio.O
ex-presidente russo, braço direito do atual, Vladimir Putin, afirmou na
rede social Telegram que a Rússia gostaria de "ver cidadãos europeus
não apenas expressar (nas urnas) o seu descontentamento pelas ações dos
seus governos (…), mas também pela sua estupidez evidente".Medvedev
- atual vice-presidente do conselho de segurança nacional russo -
acrescentou que "os votos dos eleitores são uma poderosa alavanca de
influência".O Governo italiano de unidade
nacional cessante, liderado pelo primeiro-ministro Mario Draghi, apoiou
totalmente as sanções ocidentais contra a Rússia pela sua invasão da
Ucrânia, bem como o envio de armas para Kiev.O
ministro italiano disse que Medvedev deu uma "indicação clara sobre
como votar" nas eleições gerais em Itália, referindo-se ao facto de o
partido Irmãos de Itália (FdI/extrema-direita) não ter participado no
Governo de Mario Draghi.Mesmo sendo o
único grande partido da oposição, o FdI assumiu uma postura fortemente
pró-NATO e pró-UE sobre a guerra na Ucrânia.Dois
partidos do governo Draghi que haviam elogiado anteriormente Putin, a
Liga, de Matteo Salvini, e a Forza Itália (FI), de Silvio Berlusconi,
também condenaram inequivocamente a agressão russa."Estamos
a trabalhar para diversificar as fontes do nosso suprimento de gás,
porque não podemos depender daqueles que, com o dinheiro dos italianos,
estão a financiar a sangrenta guerra na Ucrânia", sublinhou ainda Di
Maio.O ministro italiano repetiu o apelo para que a União Europeia (UE) estabeleça um teto para o preço do gás.O
Governo italiano tem trabalhado para acabar com a dependência do país
do gás russo desde a invasão da Ucrânia por Moscovo em 24 de fevereiro,
preparando uma série de acordos para aumentar o fornecimento de outros
lugares.A proporção do gás italiano
fornecido por Moscovo já caiu de 40 por cento no início do conflito para
cerca de 25% neste momento, disseram fontes recentemente à agência de
notícias ANSA. A participação da Argélia subiu para mais de 30%.O
Governo italiano "agiu rapidamente" para diversificar os fornecedores,
esforçando-se para estabelecer alternativas com países como Argélia,
Angola, Congo, Líbia, Egito, Israel e Moçambique, disse recentemente
Mario Draghi.A companhia petrolífera italiana Eni juntou-se recentemente ao maior projeto mundial de gás natural liquefeito (GNL) no Qatar.