Ministro acusa PS de querer “manter omnipresença nos órgãos do Estado”
Hoje 11:40
— Lusa/AO Online
“São
a grande força conservadora deste país, que ninguém tem a dúvida. E
porquê? Por uma razão simples. Resistem à mudança com todas as suas
forças, preferem sempre a inação à transformação", sustentou Carlos
Abreu Amorim, ao refirir-se ao PS na abertura das Jornadas Parlamentares
do CDS-PP, na Assembleia da República. "Quando
uma reforma, em qualquer área, seja numa área de soberania, seja numa
área social, seja numa área económica, quando qualquer esforço de
reforma lhes é apresentado, eles não conseguem disfarçar o ceticismo,
não conseguem disfarçar a lógica de resistência e a lógica de
permanência naquilo que está. Não querem mudar”, acrescentou.Carlos
Abreu Amorim considerou que os socialistas, “em tudo o que fazem, e
sobretudo no que não fazem, que é muito, nunca afrontam os interesses
instalados” e “fazer política, para eles, é manter a sua omnipresença
nos órgãos do Estado e daí nunca querem sair, seja qual for a lógica da
democracia e seja quais forem os resultados eleitorais”.O
ministro dos Assuntos Parlamentares acusou também os socialistas de
quererem “manter a estagnação porque é nesse clima de águas paradas
que eles melhor sabem frutificar as raízes do seu poder”.“Eles
não conseguem fazer autocrítica. Portanto, se foram eles a fazer e a
arquitetar aquela lógica de desenvolvimento que se traduz em não sairmos
da cepa torta, obviamente que não querem mudar, são contra a mudança”,
referiu.E contrapôs que “as melhores transformações que aconteceram na democracia foram feitas em conjunto pelo PSD e pelo CDS”."Nós,
AD, fomos e somos a tradição da responsabilidade, da coerência e do
compromisso", salientou, recusando que a AD seja uma aliança de
conveniência.Quando "as coligações
governamentais em Portugal entre PSD e CDS já vão no seu nono episódio,
então significa que há mais qualquer coisa, não há apenas conveniência,
não há apenas oportunidade, não há apenas o ensejo do momento
político que se aproveita para se realizar um ou outro objetivo, há uma
consciência muito profunda do que o caminho a percorrer é um caminho
comum, porque tem objetivos comuns e porque é necessário para que
Portugal se transforme", salientou.“Nós,
AD, num clima de incerteza, mais até do que em tempos de bonança, somos a
força tranquila da mudança, somos aqueles que separam a governação do
radicalismo, do extremismo e do protesto pelo protesto”, acrescentou.Na
sua intervenção, o ministro associou-se ainda ao voto de condenação
anunciado pelo líder parlamentar centrista ao incidente na Marcha pela
Vida, realizada no sábado à tarde no centro de Lisboa, em que uma pessoa
atirou um objeto incendiário para o meio dos participantes, sem
feridos.Estas declarações acontecem dois dias antes de o parlamento decidir a nova data das eleições para os órgãos externos.Em
causa está o impasse para a eleição dos órgãos externos para a
Assembleia da República, tendo sido tornadas públicas nos últimos dias
discordâncias entre PSD e PS quanto à indicação dos nomes para o
Tribunal Constitucional, que já motivaram esta semana uma reunião entre o
primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o líder do PS, José Luís
Carneiro, mas que foi inconclusiva.Dos
três juízes que têm de ser substituídos no TC, dois foram indicados pelo
PSD e um pelo PS, estando em aberto a possibilidade de o Chega, agora
segundo maior partido parlamentar, entrar neste órgão e de os
socialistas ficarem de fora desta eleição.