Ministra espanhola pede regularização extraordinária de meio milhão de imigrantes
16 de jul. de 2025, 12:29
— Lusa/AO Online
Sáo 500 mil pessoas que vivem e
trabalham em Espanha que "têm de estar regularizadas já", disse a
ministra, que é também uma das vice-presidentes do executivo liderado
pelo socialista Pedro Sánchez e dirigente do Somar, o outro partido de
esquerda da coligação governamental.Yolanda
Díaz falava na televisão pública epanhola (RTVE) sobre a situação na
localidade de Torre Pacheco, Múrcia, no sul de Espanha, que nas últimas
cinco noites foi cenário de concentrações e distúrbios de grupos de
extrema-direita que responderam a apelos na Internet para "uma caçada" a
imigrantes.Os distúrbios e os confrontos
entre grupos de extrema-direita e residentes em Torre Pacheco, onde 30%
da população de 40 mil pessoas é imigrante ou de origem estrangeira,
surgiram após um homem de 68 anos da localidade ter sido agredido por
jovens sem razão aparente, segundo contou a própria vítima, na
quinta-feira passada, a meios de comunicação social.Segundo
as forças de segurança espanholas, 13 pessoas foram detidas desde
sábado, três delas por estarem relacionadas com a agressão e as
restantes suspeitas de crimes de ódio, agressões e desordem pública.A
ministra Yolanda Díaz defendeu hoje "toda a contundência" para travar a
violência em Torre Pacheco e apelou à aprovação da Iniciativa Popular
Legislativa para regularização de imigrantes, que já deu entrada no
parlamento em 09 de abril de 2024, mas continua sem avançar e sem prazo
para acabar.Yolanda Díaz defendeu que que
se as pessoas nâo vêm solução para os "problemas sociais", existe o
risco de se colocarem ao lado da extrema-direita.Os
imigrantes descontam para a segurança social, trabalham e pagam
impostos em Espanaha e têm de ter plenitude de direitos, acrescentou.A
ministra reiterou também a acusação do Governo contra o partido de
extrema-direita Vox de alimentar e provocar situações como a que se está
a viver em Torre Pacheco, com um discurso anti-imigração e que associa
os imigrantes a criminalidade, apesar de nenhuma estatística ou estudo o
confirmar.Yolanda Díaz criticou também o Partido Popular (PP, direita) por não condenar explicitamente este discurso do Vox.O
parlamento de Espanha aprovou em 09 de abril de 2024 uma iniciativa
popular subscrita por 612 mil pessoas e 906 associações que pede a
regularização extraordinária de cerca de meio milhão de imigrantes que
vivem no país.A aprovação desta Iniciativa
Legislativa Popular traduziu-se na admissão para apreciação pelos
deputados, com vários partidos que votaram a favor a adiantarem que
iriam propor alterações, incluindo os socialistas, que estão no Governo.Só um partido representado no parlamento espanhol não votou a favor, o Vox.Segundo
as estimativas dos subscritores (que têm já mais de três anos), entre
390 mil e 470 mil pessoas vivem numa "situação irregular" em Espanha, um
terço delas menores.Para os autores da
proposta, os critérios de acesso a autorizações de residência são muito
restritivos e os procedimentos administrativos para obter ou renovar
essas autorizações são lentos e muito burocráticos, além de estarem
sujeitos a "um grau elevado de arbitrariedade”.A
iniciativa popular considera estarem em causa direitos fundamentais dos
imigrantes, a par de perdas económicas e financeiras para Espanha.Já
houve várias regularizações extraordinárias de imigrantes em Espanha
nas últimas décadas, promovidas tanto por governos de esquerda como de
direita.Entre 1991 e 1992, um processo
extraordinário levou à regularização da situação de 108.321 pessoas e
outro em 1996 abrangeu 21.294.Em 2000 foram regularizadas 163.352 pessoas e em 2001 um novo processo abrangeu 239.174 imigrantes.O
processo mais recente tem quase 20 anos e ocorreu em 2005, quando meio
milhão de pessoas conseguiram regularizar a sua situação.