Ministra do Ambiente anuncia nova área marinha protegida do Banco de Gorringe
Oceanos
11 de jun. de 2025, 17:28
— Lusa/AO Online
Maria da Graça
Carvalho afirmou em conferência de imprensa em Nice, França, onde
decorre a terceira Conferência da ONU sobre o Oceano (UNOC3), que “há
uma decisão já consensual entre as várias partes envolvidas nas questões
do mar de avançar com uma nova área marinha oceânica (…) que vai dar um
outro salto importante nas nossas áreas marinhas protegidas e que é o
Banco Gorringe”.A ministra disse que o
Banco de Gorringe, cerca de 200 quilómetros a sudoeste do Cabo de S.
Vicente, Algarve, é zona com dimensão considerável – 180 quilómetros de
comprimento - e que “irá projetar [o país] para uma percentagem muito
perto dos 30%” de área marinha protegida. Segundo a ministra, Portugal
ficará com 27% de área marinha protegida.Um
dos temas da UNOC3 é a proteção dos oceanos de modo a serem
sustentáveis e uma das metas das Nações Unidas é que até 2030 os países
tenham 30% da sua área marítima com estatuto de proteção.A
ministra recordou que o “grande salto” de Portugal nesta área “foi dado
pela proteção de 30% do mar dos Açores”, que possibilitou ao país estar
nos atuais 19% de áreas marinhas protegidas.A governante adiantou que o decreto-lei para a nova AMP está pronto e que agora segue-se a realização do modelo de gestão.Considerado
com elevado valor ecológico, o banco de Gorringe integra desde 2015 a
Rede Natura 2000 como Zona Especial de Conservação. A ministra adiantou,
sem precisar, que a área a proteger será maior do que a da contemplada
pela Rede Natura 2000."A dimensão será
cerca de 23 mil quilómetros quadrados, o que é uma área muito muito
grande, isto coloca Portugal entre os países de melhor desempenho do
mundo", sublinhou. A ministra disse
esperar que o processo legislativo esteja concluído até ao final do ano e
que a área de proteção total será definida tendo em conta os estudos
científicos já realizados. Dos 19% de área protegida nacional atual,
apenas 9% é totalmente protegida. Relativamente
à fiscalização desta vasta área marinha protegida, Maria da Graça Carvalho
disse que esse é um processo que envolve vários ministérios, havendo
regulamentação europeia nesse sentido e tecnologia que torna mais
simples este processo do que no passado. Nas
áreas marinhas protegidas oceânicas a necessidade de compensação aos
pescadores é menor, "é muito maior nas zonas costeiras, mas se for
preciso estaremos disponíveis para isso", referiu.A
ministra disse ainda que há "sempre um orçamento para cada área",
referindo que para os Açores serão 20 milhões de euros no total, entre o
Fundo Ambiental e a Fundação Oceano Azul e um parceiro norte-americano.
Maria da Graça Carvalho adiantou que está
ainda nos planos do Governo a criação de uma outra área marinha
protegida, de menor dimensão, junto a Lisboa, em águas dos concelhos de
Cascais, Sintra e Mafra.