Ministra diz que empresas já podem pedir indemnizações e pede rapidez à ERSE
Apagão
Hoje 11:21
— Lusa/AO Online
“Para o sistema estar completo e
termos todos os elementos, falta a ERSE [Entidade Reguladora dos
Serviços Energéticos] decidir se isto foi um evento extraordinário ou
não”, afirmou Maria da Graça Carvalho no debate setorial no parlamento.“Nós
já pedimos à ERSE para ser célere na resposta em relação a este
problema”, declarou a ministra, sublinhando que o tema “é muito
importante, tanto para o Governo como para as empresas, e também para os
consumidores”.Segundo a governante, “a
partir dessa decisão, tanto as compensações como as indemnizações têm
todo o ‘framework’ decidido como é que vão ser feitas”.Caso o evento seja declarado extraordinário, pode não haver lugar ao pagamento de compensações e indemnizações. Questionada
sobre quando Portugal saberá o que Espanha vai exatamente fazer
relativamente aos danos que provocaram a Portugal no dia 28 de abril de
2025, Maria da Graça Carvalho defendeu a vantagem da integração no
mercado ibérico de eletricidade, acrescentando que Portugal tem
capacidade para funcionar de forma autónoma.“Nós,
se quisermos, somos autónomos. Aliás, desde o dia 1 do apagão, do dia
28 de abril, até 20 de junho, nós estivemos parcialmente desligados”,
afirmou.A ministra recordou que “houve uma
altura que até dia 88 de maio” Portugal esteve “completamente
desligado” de Espanha e “funcionou”, antes de a ligação ser retomada
gradualmente.“E por que é que depois
ligámos completamente? É que o nosso preço da eletricidade, quando
estávamos desligados, aumentou brutalmente”, justificou.Maria
da Graça Carvalho explicou que, num mercado interligado, Portugal
consegue aceder a eletricidade a preços mais baixos: “Nós vamos buscar
energia onde ela é mais barata, e quanto maior for a ligação do mercado,
mais sítios mais baratos podemos ir buscar”.Sobre
as recomendações técnicas posteriores ao apagão, da ENTSO-E, a ministra
referiu que Portugal já tem implementadas, ou em curso, medidas
alinhadas com as conclusões europeias.O relatório contém “um conjunto de 31 recomendações” que Portugal tem “praticamente tudo já implementado”.O
apagão de 28 de abril de 2025 afetou a Península Ibérica e deixou
milhares de pessoas sem eletricidade, transportes, comunicações e
serviços básicos durante várias horas.Em
março, peritos europeus concluíram que o incidente resultou de múltiplos
fatores técnicos, sem atribuir responsabilidades legais, remetendo essa
avaliação para as autoridades nacionais.O
painel de especialistas classificou o incidente como “o apagão mais
grave no sistema elétrico europeu em mais de 20 anos” e um fenómeno
“nunca antes observado ou teorizado”.A
investigação identificou uma combinação de fatores, incluindo limites de
tensão diferenciados, baixa carga nas linhas, falhas em sistemas de
proteção e insuficiências no controlo dinâmico da tensão.