Ministra diz que distúrbios são inadmissíveis e garante acompanhamento permanente do Governo
23 de out. de 2024, 10:32
— Lusa/AO Online
Segundo
a ministra Margarida Blasco, já se realizou na noite de terça-feira uma reunião de
urgência do Sistema de Segurança Interna, mas recusou adiantar se haverá
algum reforço de meios.“Não revelarei
aqui qualquer ação operacional. Aquilo que eu queria garantir aos
portugueses é que as forças de segurança tudo farão para manter a ordem e
deter aqueles que têm participado nestes distúrbios, sendo que já estão
três detidos”, afirmou, em declarações aos jornalistas à chegada à 35.ª
Cimeira Luso-Espanhola, que decorre em Faro.Os
desacatos que decorrem desde segunda-feira após a morte de um homem
baleado pela PSP espalharam-se hoje à noite a várias zonas da Grande
Lisboa, nomeadamente Carnaxide (Oeiras), Casal de Cambra (Sintra) e
Damaia (Amadora), adiantou à Lusa fonte policial.Margarida
Blasco classificou os desacatos das últimas noites como “atos de
vandalismo que põem em causa a ordem e a segurança pública” e assegurou
que tudo será feito “para levar todos aqueles que participaram nestes
tumultos à justiça”. A ministra começou
por assegurar que o Governo tem estado a acompanhar “desde o princípio
todas as desordens públicas” em vários bairros da Grande Lisboa.“Queria
aqui dizer que esta noite fizemos uma reunião de urgência do SSI, estou
em permanente contacto com todas as forças de segurança e
principalmente com a PSP, que está nos diversos locais a acompanhar e a
repor a ordem pública”, disse.A ministra
deixou uma “especial menção” àqueles que estão a trabalhar pela
tranquilidade e “para acabar com estes distúrbios perfeitamente
inadmissíveis que não permitem às populações deslocar-se e fazer a sua
vida laboral normal e acompanhar as suas crianças à escola”.“Queria
dizer que a PSP, em articulação com todas as outras forças de
segurança, estão a repor e a dar apoio às populações que querem seguir o
seu dia-a-dia de forma normal”, afirmou.Questionada
se haverá algum reforço policial para esta noite, a ministra apenas
reiterou que o Governo está a acompanhar em permanência “todos os
desenvolvimentos e todas as ações de polícia e de prevenção e de
repressão de todos aqueles que praticam estes atos”.Três
pessoas foram detidas na terça-feira, duas das quais por incêndio e
agressões a agentes policias, na sequência dos desacatos após a morte de
um homem baleado pela PSP na Cova da Moura, Amadora, disse fonte
policial.Os desacatos têm sucedido desde
segunda-feira após a morte de um homem baleado pela PSP na Cova da Moura
e que se espalharam a várias zonas de Lisboa, nomeadamente Carnaxide
(Oeiras), Casal de Cambra (Sintra) e Damaia (Amadora).Fonte
da PSP adiantou à Lusa que três pessoas foram detidas no concelho da
Amadora, duas por incêndio e agressões a agentes policiais e outro por
incêndio e posse de material combustível.De
acordo com a mesma fonte, na Amadora, um agente foi apedrejado e duas
viaturas policiais ficaram danificadas, bem como outras cinco viaturas, e
vários caixotes do lixo foram incendiados.“Um grupo tentou incendiar, sem sucesso, uma bomba de gasolina”, disse a mesma fonte.No
bairro da Portela, Carnaxide, Oeiras, foi incendiado na terça-feira à
noite um autocarro, além de vários caixotes do lixo e uma viatura
ligeira.Odair Moniz, de 43 anos, foi
baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da
Cova da Moura, na Amadora, e morreu pouco depois, no Hospital São
Francisco Xavier, em Lisboa.Na
segunda-feira, o Ministério da Administração Interna determinou à
Inspeção-Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito
urgente e também a PSP anunciou a abertura de um inquérito interno para
apurar as circunstâncias da ocorrência. O agente que baleou o homem foi
entretanto constituído arguido, indicou fonte da Polícia Judiciária.