Ministra da Saúde recusa “explorar óbitos e sofrimento” e culpa pandemia por adiamento de soluções
Covid-19
17 de jun. de 2022, 13:56
— Lusa/AO Online
“Não
vou explorar os óbitos, o sofrimento de bebés, de mães, de famílias e
dos profissionais de saúde que se confrontam com situações limite e da
sociedade que se confronta com a ansiedade de serviços que funcionam com
alguns constrangimentos”, disse Marta Temido aos deputados durante um
debate de urgência no parlamento requerido pelo Chega "sobre o caos
instalado nos serviços de urgência de ginecologia e obstetrícia do
país".A ministra foi confrontada pelos
vários partidos sobre a morte de um bebé no hospital de Caldas da Rainha
na semana passada e sobre o fecho de vários serviços de urgência. A
governante assegurou que estas situações vão ser “naturalmente
averiguadas com serenidade e total transparência para se perceber aquilo
que falhou". Marta Temido admitiu também
que “há problemas estruturais”, mas que “não são de agora”, apontando
que “há uma resposta e uma visão estratégica”. “Caso
se tenham esquecido, este parlamento aprovou uma nova lei de bases da
Saúde em 2019, a implementação dessa nova lei de bases da saúde,
designadamente por via de um novo estatuto do SNS, ficou adiada porque
aconteceu uma pandemia e uma queda do governo”, disse.Marta
Temido relembrou que o novo estatuto do SNS “tem soluções estratégicas,
uma visão em termos de recursos humanos com a autonomia das
contratações, com incentivos aos profissionais de saúde e com pactos de
permanência”.A governante disse também que
o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) é “outro dos instrumentos
estratégicos” que o Governo tem em mãos e que prevê “desde o principio,
não só um conjunto de investimentos, mas um conjunto de reformas
estruturais que visavam melhorar a rede de referenciação do SNS”.“Aquilo
de que falamos hoje não é nada que não tivéssemos previsto, é apenas
algo que esteve adiado por clara impossibilidade de concretização”,
sustentou. A ministra disse que “as
soluções pontuais e de contingência” apresentadas esta semana pelo
executivo “destinam-se a assegurar aquilo que é a resposta imediata e
são de dois tipos, designadamente “a confiança numa comissão técnica
para melhorar a articulação da resposta imediata” e o “pagamento
adicional das horas suplementares realizadas em serviço de urgência
pelos profissionais do mapa de pessoal do SNS”.Em
resposta ao deputado do Chega André Ventura sobre soluções para o SNS, a
ministra respondeu que passa por “contratar, formar mais, aumentar as
idoneidades formativas, alargar o recrutamento ao estrangeiro, pagar
melhor e reconhecer que este problema é sistémico e não de cor
políticas”.Marta Temido lembrou aos deputados que França está a viver um problema idêntico nas maternidades.O
debate de urgência no parlamento foi pedido na sequência do
encerramento de urgências de ginecologia e obstetrícia de hospitais de
vários pontos do país nos últimos dias, por dificuldades em assegurar
escalas de médicos.