Ministra da Saúde partilha reservas da OMS quanto a vacina russa
Covid-19
12 de ago. de 2020, 15:26
— Lusa/AO Online
“É muito
importante acelerar o processo de investigação em relação à descoberta
de uma vacina eficaz, mas não podemos, nesse processo, sacrificar nem a
segurança nem a eficácia terapêutica”, declarou Marta Temido na
conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia. A
ministra indicou que relativamente à vacina Sputnik V, a primeira para a
covid-19 a ser anunciada, “há factos que têm sido referidos, que a fase
3 [de testagem na comunidade] não terá sido, eventualmente, totalmente
realizada”. Por outro lado, “ninguém está
disponível para desperdiçar a oportunidade de ter um instrumento que
ajude a responder a esta doença”, admitiu. Marta
Temido afirmou que a autoridade portuguesa de regulação dos
medicamentos (Infarmed) está “a trabalhar com a Agência Europeia do
Medicamento, integrado numa rede competente, capacitada e com todos os
meios ao seu dispor para garantir que Portugal está entre os países que
terão acesso ao que venha a ser uma vacina eficaz para a covid-19”. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu na terça-feira com cautela a
notícia de que a Rússia registou a primeira vacina do mundo contra a
covid-19, sublinhando que deverá seguir os trâmites de pré-qualificação e
revisão definidos."Acelerar o progresso
não deve significar comprometer a segurança", disse o porta-voz da OMS,
Tarik Jasarevic, numa conferência de imprensa, acrescentando que a
organização está em contacto com as autoridades russas e de outros
países para analisar o progresso das diferentes investigações em curso
relativamente de vacinas. A vacina russa,
cujo registo foi anunciado terça-feira pelo Presidente russo, Vladimir
Putin, em reunião com o gabinete de ministros, não estava entre as seis
que a OMS disse na semana passada estarem mais avançadas.A
organização com sede em Genebra citou, entre as seis, três candidatas a
vacinas desenvolvidas por laboratórios chineses, duas dos Estados
Unidos (das empresas farmacêuticas Pfizer e Moderna) e a britânica
desenvolvida pela AstraZeneca em colaboração com a Universidade de
Oxford.Segundo Putin, a vacina russa é
"eficaz", passou em todos os testes necessários e permite atingir uma
"imunidade estável" contra a covid-19, devendo entrar em circulação a
partir de 01 de janeiro de 2021. Contudo,
muitos cientistas, no país e no estrangeiro, questionaram a decisão de
registar a vacina antes de os cientistas completarem a chamada Fase 3 do
estudo. Essa fase por norma demora vários
meses e envolve milhares de pessoas e é a única forma de se provar que a
vacina experimental é segura e funciona.