Ministra da Saúde disponível para diálogo mas alerta que há linhas intransponíveis
14 de out. de 2024, 15:17
— Lusa/AO Online
A Federação Nacional
dos Médicos (Fnam) anunciou no sábado que irá “endurecer a luta” contra
as políticas do Governo para a saúde e que irá reunir-se com os
sindicatos das restantes classes profissionais do setor para definir um
plano com esse objetivo.Questionada sobre a
posição da Fnam à margem de uma visita à Associação Protetora dos
Diabéticos de Portugal, em Lisboa, a ministra disse respeitar “todas as
formas de luta”.“Estamos numa democracia
mas não comentamos aquilo que é matéria dos sindicatos e das suas formas
de luta. O que nos interessa (…) é que manteremos o diálogo sempre com
os profissionais de saúde que queiram dialogar com o Governo e que
queiram manter-se sentados na mesa de negociações, não colocando linhas
vermelhas que são intransponíveis, porque a negociação é isso mesmo, é
não colocarmos uns aos outros obstáculos tais que não consigamos chegar a
um consenso”, salientou a governante.Ana
Paula Martins assegurou que o Governo está disponível "para ouvir, para
construir e para negociar” tudo o que “for para beneficiar os cidadãos”,
frisando que esse é o seu foco.“Cada um
assume as suas responsabilidades. O Governo e o Ministério da Saúde
assumem a responsabilidade de negociar para ter um acordo”, sublinhou.Neste
momento, a negociação é com o Sindicato Independente dos Médicos (SIM),
“o único sindicato que quis continuar sentado à mesa com este Governo
para encontrar nos próximos dois meses, até ao final do ano no máximo,
melhores condições para os médicos no Serviço Nacional de Saúde”, disse
Ana Paula Martins.A ministra recordou o
acordo alcançado com a plataforma que inclui cinco sindicatos -
Sindicato dos Enfermeiros, Sindicato Independente de Todos os
Enfermeiros Unidos, Sindicato Nacional dos Enfermeiros, Sindicato
Independente Profissionais Enfermagem e Sindicato Democrático dos
Enfermeiros de Portugal - que prevê um aumento salarial de cerca de 20%
até 2027, que começará a ser pago em novembro deste ano.
“Faremos também com certeza com os farmacêuticos e com os outros
técnicos, porque a saúde é uma equipa multidisciplinar e nós precisamos
todos”, declarou. Questionada sobre se o
aumento de 9% para o setor da saúde previsto na proposta do Orçamento
do Estado para 2025 vai dar resposta à luta dos médicos e de todos os
profissionais de saúde, a governante disse apenas que é o segundo maior
aumento que o OE aloca à saúde. "Isto é
inequivocamente uma prova da prioridade que este Governo e o senhor
primeiro-ministro dão à saúde dos portugueses", rematou.A
proposta do Orçamento do Estado para 2025 prevê que a despesa com
pessoal do SNS aumente cerca de 425 milhões de euros no próximo ano,
totalizando 7,09 mil milhões de euros (+6,4%).No
global, a Saúde vai dispor no próximo de ano de mais de 16,8 mil
milhões de euros, com a dotação orçamental essencialmente repartida por
despesas com pessoal (41,8%) e aquisição de bens e serviços (49,6%), que
inclui as compras de medicamentos, os meios complementares de
diagnóstico e terapêutica e as parcerias público-privadas.