Ministra da Saúde descarta realização de testes nos aeroportos
Covid-19
20 de mai. de 2020, 16:22
— Lusa/AO Online
“Sobretudo
nunca fazer um teste sorológico num aeroporto. Acho que não é aí a
melhor aplicação que podemos ter para esta metodologia de testes”, disse
Marta Temido na Comissão Parlamentar da Saúde em resposta a uma questão
levantada pela deputada social-democrata Sara Madruga da Costa, eleita
pela Madeira.A ministra sublinhou que é
preciso ter “a perceção muito clara” de que “um teste é uma fotografia” e
como tal “retrata uma situação num momento que pode nem sequer espelhar
exatamente uma infeção que tenha sido contraída há muito pouco tempo,
designadamente se a fiabilidade do teste for baixa como acontece com
alguns testes que por aí estão a ser muito propalados”.No
seu entender, é preciso ter “muito cuidado com aspetos como atestados
imunitários e outros produtos que às vezes são propagados e publicitados
como formas de atribuir confiança às pessoas”.Provavelmente,
defendeu, essa não é a melhor forma de atribuir confiança às pessoas,
mas sim dizer-lhes que “o teste tem uma validade específica e deve ser
realizado num contexto específico”.Na
terça-feira, o Governo Regional da Madeira anunciou que a quarentena
obrigatória para os passageiros desembarcados na região será eliminada a
partir de 1 de julho, passando a vigorar a obrigatoriedade de
apresentação ou realização de um teste à Covid-19 à chegada ao
aeroporto.Marta Temido lembrou que a
realização de testes à Covid-19 tem uma indicação específica da parte da
Direção-Geral da Saúde que não se confunde com outras aplicações
designadamente em programas de rastreio.Quando
as várias áreas governamentais optaram por fazer os seus rastreios em
determinados locais isso foi feito em função de uma estratificação de
risco, nomeadamente os lares devido à “situação da alta letalidade” dos
idosos devido à sua “fragilidade especial” à Covid-19 por terem
comorbidades associadas.“Tendo percebido
logo cedo que um dos focos de infeção para estas pessoas eram os
profissionais que trabalhavam nos lares (…) isso levou-nos a rastrear os
profissionais”, explicou. Foi adotada a mesma metodologia para os profissionais que trabalham nas creches e para os estabelecimentos prisionais.Segundo
a ministra, dos cerca de 3.000 profissionais que trabalham em
estabelecimentos prisionais, já foram testados mais de 1.000, e os das
creches que já iniciaram a sua atividade foram maioritariamente
testados. “Relativamente aos lares, quem ainda não terminou de ser testado será no próximo dia 22”, salientou.Questionada
na audição pelo deputado do PSD Cristóvão Norte, sobre se ia haver
reforço de profissionais de saúde no verão no Algarve, respondeu
afirmativamente.“Claro que este ano, como
não podia deixar de ser, vamos continuar a dar a resposta necessária ao
Verão algarvio e temos uma particular atenção àquilo que vai ser o
afluxo de, pelo menos turismo interno, a essa região designadamente com
aquilo que são as respostas de profissionais de saúde”, salientou.Segundo
a ministra, haverá novamente um despacho a prever essa situação:
“provavelmente não só para médicos, é uma matéria que está a ser
tratada”.“É muito importante que nesta
fase consigamos garantir que os passos que damos são dados com
prudência, mas também com confiança na medida em que tudo aquilo que
afeta a saúde é também fruto daquilo que vai acontecendo na economia e é
certo que estamos absolutamente empenhados em recuperar a atividade
assistencial que foi suspensa ao longo deste período”, salientou.Mas
- frisou - “também não subestimamos o efeito daquilo que tenha sido a
fragilidade económica e social criada neste período sobre aquilo que
venha a ser futuramente a saúde dos portugueses”.