Ministra da Saúde defende regulação do trabalho à tarefa no SNS
27 de ago. de 2025, 17:31
— Lusa/AO Online
“Nós temos que
legislar sobre o trabalho à tarefa no SNS, que agora vai ser para os
médicos, mas será também depois para os enfermeiros e para outros
profissionais, e isto, vou ser muito clara, não pretende penalizar
rigorosamente ninguém. Nós [SNS] precisamos de todos, todos, todos”,
disse a governante. Ana Paula Martins
falava aos jornalistas à margem da inauguração da Unidade de Saúde de
Sapadores/Graça, em Lisboa, e ao lado do presidente social-democrata
daquele município, Carlos Moedas. De acordo com a ministra da Saúde, trata-se de uma regulação “daquilo que são injustiças” que têm sido cometidas.“O
que pretende é criar regras para que não estejamos a dar os incentivos
errados àqueles que querem ficar a trabalhar connosco [no SNS]”, disse.Não
querendo abordar mais o assunto, Ana Paula Martins referiu que haverá
“mais novidades”, depois de se reunir com os sindicatos e a OM “nas
próximas semanas”.Segundo o jornal
Expresso, que consultou a versão preliminar do projeto de decreto-lei
que visa regulamentar as prestações de serviço, o Ministério da Saúde
defende que os recém-especialistas que não concorram ao SNS ou que
recusem colocação não poderão trabalhar à tarefa no público. E
o mesmo vai acontecer com os médicos que rescindam contrato, que se
recusem a fazer horas extra além das obrigatórias por lei ou que peçam
reforma antecipada”, refere o diploma consultado. Anualmente, são gastos cerca de 213 milhões de euros em trabalho pago a médicos à tarefa.Na
semana passada, o presidente da Associação Portuguesa de
Administradores Hospitalares (APAH) considerou que o Governo devia
focar-se mais na capacidade de atração de médicos recém-especialistas
para o SNS, em vez de definir apenas incompatibilidades. "A
discussão sobre o novo diploma não deve estar focada na proibição de
contratação, mas sim no incentivo à contratação", disse à Lusa Xavier
Barreto, que defendeu uma “visão mais abrangente de como é possível
construir um sistema que incentive os jovens médicos a fazer contrato
com os hospitais ao invés de trabalharem como tarefeiros”. Relativamente
à nova unidade hoje inaugurada na capital, prestará cuidados de saúde a
15.200 utentes da freguesia da Penha de França, e a obra resultou de um
investimento de cerca de cinco milhões de euros.