Ministra da saúde admite processar presidente da associação de médicos tarefeiros
Hoje 10:13
— Lusa/AO Online
Numa entrevista ao
‘podcast’ Política com Assinatura, da Antena 1, a ministra da Saúde
considerou que a declaração do presidente da AMPS, Nuno Figueiredo e
Sousa “é de uma gravidade enorme” e “vai merecer do Governo uma análise
jurídica para intervenção, se for o caso”.Ana
Paula Martins disse que o profissional de saúde em causa “está a
cometer perjúrio, afirmando algo que não pode comprovar” porque “não
conhece a legislação aprovada”.As
declarações de Nuno Figueiredo e Sousa seguiram-se á aprovação, em
Conselho de Ministros, do regime de incompatibilidades para os chamados
médicos tarefeiros.Ana Paula Martins disse
ainda que o médico “devia ser prudente, sob o ponto de vista ético”, e
“ter responsabilidade e não lançar o pânico”.Na opinião da ministra, as declarações de Nuno Figueiredo e Sousa são de “uma gravidade enorme”.“Admito
processar, sim senhora. Não se pode acusar um Governo de homicídio sem
que estas afirmações sejam altamente escrutinadas e altamente
avaliadas”, sublinhou.Ana Paula Martins
afirmou que o Governo não vai deixar “passar em claro” estas declarações
e acrescentou: “Talvez o que os portugueses tenham de saber (…) é que
este presidente, médico, mas que não sei se representa os médicos ou se
representa empresas, está a proteger um negócio que em 2025 [lucrou] 249
milhões de euros, em detrimento de uma solução organizada para a
prestação de cuidados de saúde aos portugueses”.Segundo
explicou a ministra na semana passada, após a reunião de Conselho de
Ministros, o regime aprovado prevê que, para se contratar médicos
tarefeiros, “tenha de haver a necessidade”, não impedindo a prestação de
serviços por não especialistas, mas "mediante algum tipo de condições”.O
regime de prestação de serviços contempla ainda várias
incompatibilidades, adiantou Ana Paula Martins, apontando o exemplo dos
médicos que já fazem parte do SNS e que não se mostram disponíveis para
fazer mais horas extraordinárias do que os limites de 250 horas
previstos na lei.No final de 2025, os
médicos conhecidos como tarefeiros criaram uma associação para contestar
medidas do Ministério da Saúde para limitar o recurso a estes
profissionais, admitindo mesmo a possibilidade de paralisar os serviços
de urgências, o que não se verificou.No
ano passado, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou cerca de 250
milhões de euros com a contratação de médicos tarefeiros, a maioria para
assegurar as escalas das urgências, um aumento de 17,3% em relação a
2024.