Ministra da Saúde admite problema de atratividade de profissionais para o SNS
OE2022
10 de mai. de 2022, 17:50
— Lusa/AO Online
Em
março deste ano, havia mais 3.804 profissionais de saúde no SNS face a
dezembro de 2021, dos quais 2.134 são médicos. Entre estes, 1.752 são
internos e 352 especialistas, disse Marta Temido na audição parlamentar
no âmbito da apreciação da proposta de Orçamento do Estado para 2022
(OE2022), que está a decorrer na Assembleia da República.A
este propósito, a secretária de Estado da Saúde, Maria de Fátima
Fonseca, anunciou que as vagas para médicos em zonas carenciadas vão
aumentar 10% este ano.O
impacto da falta de médicos especialistas foi levantado por vários
deputados e Rui Cristina, do PSD, deu exemplos do que se está a passar
nalguns hospitais em termos de listas de espera.No
Hospital de Faro, os utentes têm de esperar um ano por uma consulta de
cardiologia e mais dois anos por uma consulta de pneumologia. Em
Portimão (Algarve), uma consulta de oftalmologia leva 1.059 dias a
realizar-se e no Hospital Garcia da Orta, em Almada, o tempo de espera
nas consultas para diversas especialidades rondam um ano, como sucede na
cirurgia geral ou na consulta de urologia, disse o deputado,
sublinhando que estes dados são deste ano.“Pode
o Governo também dizer que está tudo bem a uma pessoa que espera quatro
vezes mais do que o tempo máximo de resposta garantido para uma
cirurgia prioritária de cardiologia geral, como acontece no Hospital de
Abrantes”, questionou Rui Cristina.No
caso das cirurgias de prioridade normal, os prazos também são
“totalmente inaceitáveis”, considerou, adiantando que são 409 dias de
espera para cirurgia pediátrica no Hospital Dona Estefânia e 659 dias
para cirurgia vascular no Hospital de Santarém.
Em resposta, Marta Temido afirmou que estas questões são importantes e
que preocupam, mas sublinhou que “este facto não se deve ainda à inação
do Governo, na medida em que todos os médicos que tiveram a
especialidade foram médicos a quem o Ministério da Saúde propôs um
contrato”.Relativamente
aos médicos de família, Marta Temido disse que, apesar de 1,3 milhões
de utentes não terem médico atribuído, há mais cerca 800 médicos de
Medicina Geral e Familiar no Serviço Nacional de Saúde, entre 2015 e
março de 2022, passando de 5.138 para 5.932.Por outro lado, salientou, “temos ainda mais aposentados em funções de Medicina Geral e Familiar. Eram 125, hoje são 210”.“Temos
um número de aposentações que tem sido significativo e que, de acordo
com aquilo que é a evolução da demografia médica, só no ano de 2024 se
inverterá”, adiantou.Contudo,
salientou a ministra, “apesar das pessoas não terem médico de família”,
em 2021, foram realizadas 2 milhões as consultas médicas feitas nos
cuidados de saúde primários a utentes sem médico de família.Dirigindo-se
a Rui Cristina, a ministra afirmou: “Neste tema, o que interessa é,
obviamente, resolver o problema dos portugueses e que não estamos presos
a teias ideológicas”.