Ministra da Defesa concorda com necessidade de rever tabelas remuneratórias das Forças Armadas
OE2022
9 de mai. de 2022, 11:24
— Lusa/AO Online
Numa
audição parlamentar no âmbito da discussão na especialidade do
Orçamento do Estado para 2022, a ministra da Defesa foi confrontada pelo
deputado social-democrata Carlos Eduardo Reis quanto à disparidade
“brutal” de vencimentos entre as Forças Armadas e as forças de
segurança.Eduardo Reis apelou a que Helena
Carreira acompanhe uma proposta que o PSD irá apresentar quanto aos
vencimentos das “quatro primeiras categorias de praças e dos dois
primeiros postos na categoria de sargentos”, recordando que o anterior
ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, “teve abertura para aceitar uma
proposta do PSD de colocar os recrutas com um vencimento que fosse, no
mínimo, o salário mínimo nacional”. Na
resposta, a ministra da Defesa afirmou que a questão das remunerações
“tem sido estudada”, tendo na sua posse “estudos que foram feitos” sobre
a matéria e tem ouvido “com muita atenção todos aqueles que chamam a
atenção para o problema”. “Concordo,
claro, que temos de enfrentar, nalgum momento, a revisão das tabelas
remuneratórias, devido ao facto que enunciou de termos aumentado o
salário mínimo e isso afetar, depois, os equilíbrios da tabela”, frisou.
No entanto, Helena Carreiras referiu que
se trata de “um trabalho que tem de ser feito com mais cuidado, com mais
atenção, para garantir que haverá todas as condições para poder vir a
ser realizado”.“Não prevejo que este ano
possamos avançar nesta matéria, mas no diálogo e na discussão sem dúvida
podemos, e espero que possamos fazê-lo”, frisou. Em
resposta à ministra da Defesa, Carlos Eduardo Reis ironizou que não
ficava “insatisfeito” com o facto de a ministra da Defesa ter dito que a
revisão da tabela remuneratória não será feita este ano. “Como
o PS tem governado com o programa do PSD, este ano vem o quadro de
praças e, para o ano, vem a revisão da tabela remuneratória. E,
portanto, vamos dar esses passos todos que são importantes para resolver
o problema dos efetivos”, acrescentou.Nesta
audição conjunta da Comissão de Defesa e da Comissão de Orçamento e
Finanças, o deputado do Chega Pedro Pessanha abordou ainda o suplemento
de condição militar, afirmando que, apesar de, em 2010, o chamado
subsídio de risco ter sido harmonizado entre polícias e militares, hoje
esse suplemento representa, “na sua componente fixa” e “já com
atualizações”, 31 euros para os militares, enquanto “o de polícias é de
100 euros”. “A atualização aplicada às
forças de segurança, apesar de insuficiente no nosso entender, foi
oportuna. O que não nos parece oportuno nem justo foi esta atualização
deixar para trás os militares das Forças Armadas”, afirmou. Helena
Carreiras respondeu que a questão dos suplementos “tem de ser pensada
em estreita articulação com toda a questão do sistema remuneratório”,
acrescentando que “não faz sentido pensá-la separadamente”. “Deve
ser uma medida integrada e uma avaliação feita conjugadamente com a
análise que se faça da questão salarial e das remunerações. É essa a
nossa postura e, naturalmente, iremos olhar para esse tema. Eu tive a
ocasião, aliás, de receber já também associações de militares que me
colocaram esse problema: discutimo-lo e prometi, naturalmente, olhar com
atenção para a forma como poderá ser feito, mas não separadamente, não
desarticuladamente de toda a questão da revisão salarial”, reiterou. Quanto
às promoções nas Forças Armadas - que este ano foram feitas mais cedo
do que o habitual, uma vez que costumam ser feitas no final do ano -
Helena Carreiras afirmou que "o ideal será que este processo para o
próximo ano seja ainda mais precoce porque de facto é o desejável". O
Governo anunciou em abril a promoção de 5.779 militares das Forças
Armadas no ano de 2022, retomando a "normalidade do processo de
promoções" nos três ramos e "determinando que estas ocorram ao longo do
ano".