Ministra da Defesa alerta que “quem promove” ou “esconde” abusos contribui para que perdurem
12 de jan. de 2023, 18:19
— Lusa/AO Online
“Quem promove,
quem esconde ou quem se abstém de reportar tais atos, contribui para que
os mesmos perdurem. É nestas ocasiões que devemos ser capazes de
mostrar coragem moral para reconhecer problemas, exigir rigor para
identificar os factos e discernimento para encontrar as respostas
adequadas”, defendeu a governante. Helena
Carreiras falava na cerimónia comemorativa do dia da Academia Militar,
perante o chefe do Estado-Maior-General do Exército, general Nunes da
Fonseca, entre outras entidades militares e civis. Sem
nunca fazer uma referência direta às recentes notícias de alegadas
práticas violentas a uma recruta do Regimento de Apoio Militar de
Emergência (RAME), localizado em Abrantes, Helena Carreiras salientou
que “o ensino e a formação, a base de qualquer escola, merecem” estar no
centro das atenções. “É nesta academia
que os cadetes e alunos de hoje aprenderão a conhecer a história que os
antecede. Mas é sobretudo aqui que serão formados para construir o
futuro. Perante estes mesmos cadetes e alunos cumpre-me, portanto,
reforçar o quanto as suas ações, dentro e fora desta instituição, devem
constituir exemplos dos seus mais elevados valores: os valores da
disciplina, da lealdade e do respeito”, avisou. Para a governante, “não pode nem deve haver margem para dúvidas”.“Quaisquer
manifestações de práticas contrárias àqueles valores, surjam onde
surgirem, são inaceitáveis. Quaisquer abusos põem em causa a coesão,
danificam os alicerces das Forças Armadas e atentam contra o trabalho
quotidiano de todos quantos nelas servem”, frisou. No
passado dia 06 de janeiro o Ministério da Defesa anunciou a abertura de
um “novo processo urgente de averiguações” sobre as alegadas práticas
violentas exercidas sobre uma recruta em Abrantes, que será acompanhado
pela ministra da Defesa Nacional.Em
comunicado, foi adiantado que Helena Carreiras recebeu “com grande
preocupação” as notícias avançadas pelo Diário de Notícias (DN) naquele
dia que, segundo a nota, terão sido “aparentemente muito mais graves do
que as que constavam do processo de averiguações e processos
disciplinares já em curso pelo Exército naquela unidade militar”.O
DN noticiou na passada sexta-feira que uma recruta do Regimento de
Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes, terá sido alvo de
práticas violentas, no âmbito de “uma praxe que na gíria denominam de
‘Formação Orientada de Desenvolvimento de Atitudes’”.A
recruta em causa relatou ao jornal um “intenso esforço físico exigido
pelo RAME, que a terá levado à exaustão e à ansiedade, acabando por ir
parar ao hospital com uma crise de taquicardia”, escreve o DN, entre
outros episódios.