Ministra da Defesa aguarda análise técnica ao navio 'Mondego' para se pronunciar
28 de mar. de 2023, 13:22
— Lusa/AO Online
“Houve de
facto uma questão técnica que está, neste momento, a ser avaliada. Há
uma equipa técnica da Marinha que está a fazer a avaliação e vamos
aguardar por essa avaliação para nos podermos pronunciar”, disse Helena
Carreiras, em declarações à agência Lusa à margem da cerimónia de
entrega do Prémio Defesa Nacional e Igualdade.O
navio da Marinha portuguesa ‘Mondego’, recentemente envolvido numa
polémica por 13 militares terem recusado cumprir uma missão, teve hoje
de abortar uma tarefa de rendição dos agentes da Polícia Marítima e de
elementos do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza nas Ilhas
Selvagens, na Madeira, por motivos de “ordem técnica”.Questionada
pela Lusa sobre a atual situação dos navios da Marinha, com informações
recentes na comunicação social a dar conta de avarias e
inoperacionalidades que poderão indicar um colapso, a ministra
reconheceu a necessidade de maior aposta na manutenção, mas negou
qualquer colapso.“Não estão a entrar em
colapso e a prova disso é que as missões da Marinha estão a ser
cumpridas e com enorme sucesso”, disse, apontando as missões a nível
nacional em operações de vigilância, fiscalização e busca e salvamento, e
no plano internacional nas missões no quadro da União Europeia e da
NATO.Helena Carreiras adiantou que a
aposta na manutenção dos meios militares é uma prioridade do Governo,
destacando que a lei de programação militar, que já deu entrada na
Assembleia da República, inclui uma duplicação das verbas atualmente
existentes para essa área.“Estamos a
trabalhar ativamente para que as verbas sejam bem utilizadas em prol da
modernização e sustentação dos nossos meios. É portanto essa ação que
esta a ser tomada e é essa competência que tenho de cuidar para que os
nossos meios militares possam ser postos ao serviço das variadas missões
das forças armadas em toda a segurança”, frisou.Segundo
um comunicado do Comando da Marinha da Zona Marítima da Madeira, o
navio ‘Mondego’ “será objeto, ainda hoje, de uma inspeção técnica por
parte de peritos da Direção de Navios, que se deslocarão à ilha da
Madeira”.Também à margem da cerimónia de
entrega do prémio Defesa Nacional e Igualdade, a agência Lusa tentou
questionar o Chefe de Estado-Maior da Armada sobre a situação do NRP
‘Mondego’, mas Gouveia e Melo recusou-se a prestar declarações.No
passado dia 11 de março, o NRP ‘Mondego’ falhou uma missão de
acompanhamento de um navio russo a norte da ilha de Porto Santo, no
arquipélago da Madeira, após 13 militares se terem recusado a embarcar,
alegando razões de segurança.A Marinha
participou o sucedido à Polícia Judiciária Militar (PJM), em Lisboa, no
âmbito de inquérito criminal, tendo também instaurado processos
disciplinares.Segundo a defesa dos
militares, o Ministério Público suspendeu a audição dos militares que
estava agendada para analisar o processo com mais detalhe.Em
causa estarão infrações ao código da Justiça Militar por
“insubordinação por desobediência” e “insubordinação por prisão ilegal
ou rigor ilegítimo”.Entre as várias
limitações técnicas invocadas pelos militares para se recusarem a
embarcar constava o facto de um motor e um gerador de energia elétrica
estarem inoperacionais, entre outras alegadas deficiências do navio.