Ministra da Agricultura diz que 160 mil candidaturas foram submetidas ao pedido único e admite problemas
19 de jul. de 2023, 10:10
— Lusa/AO Online
Em
audição no parlamento, a governante disse que, até terça-feira, foram
submetidas 160 mil candidaturas ao regime de pagamento único do Plano
Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) e afirmou acreditar que,
até final do prazo, dia 31, chegarão mais."Estamos
em crer que é possível criar condições para que, até final do mês, os
186 mil que se candidataram no ano passado também apresentem as
candidaturas", afirmou Maria do Céu Antunes, na comissão parlamentar de
Agricultura.A governante disse ainda que
podia garantir que, apesar dos problemas no processo que levou a
estender o período de candidaturas, os pagamentos serão feitos a partir
de outubro.Ainda na sua intervenção, a
ministra admitiu que as coisas não têm corrido como deveriam, que o
"plano estratégico é um instrumento difícil e que os agricultores têm
dificuldade em perceber o que devem mobilizar para obterem um bom nível
de apoio ao rendimento", mas que o Governo trabalha para no futuro
evitar esses problemas e que está "ao lado dos agricultores, dos
consumidores"."Não estamos a fazer um
exercício branqueamento, sabemos que as coisas não estão bem, há coisas
que não correram bem", afirmou, acrescentando que, de futuro, quer
tornar o "processo mais simples"."Há coisas que têm de ser preparadas para o futuro", disse.A
audição de hoje foi requerida pelo PCP, a título urgente, sobre o
processo de candidaturas ao regime de pagamento único do PEPAC.Este
processo tem motivado a críticas generalizadas das organizações
representativas dos agricultores, tendo mesmo AJAP - Associação dos
Jovens Agricultores de Portugal, CAP - Confederação dos Agricultores de
Portugal, CNA - Confederação Nacional da Agricultura e Confagri -
Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola
de Portugal manifestado, num comunicado conjunto, a sua profunda
preocupação com o atual processo de candidaturas ao Pedido Único 2023.Na
audição de hoje, após as declarações da ministra, o deputado do PCP
João Dias considerou que este processo revela o "desnorte do Governo" no
apoio aos agricultores e disse que a grande complexidade e
desorganização faz com que apenas "os grandes e muito grandes consigam"
candidatar-se, penalizando os mais pequenos."A pequena agricultura é que sai mais a perder", afirmou o deputado comunista.