Ministra assume situação “muito crítica” no tempo de espera nas urgências
5 de jan. de 2026, 16:24
— Lusa/AO Online
“Esta semana é uma situação que é
muito critica, porque é o final das festas e das férias e das
tolerâncias de ponto. Se, por um lado, vamos ter os nossos profissionais
que estavam de férias a voltar, por outro lado também temos muito mais
doentes, a verdade é esta, nomeadamente em algumas regiões do país, a
entrar nas nossas urgências”, explicou aos jornalistas Ana Paula
Martins.Em declarações à margem de uma
visita ao Hospital Distrital da Figueira da Foz, sede da Unidade Local
de Saúde do Baixo Mondego (ULSBM), a governante não espera que os tempos
de espera nas urgências “possam melhorar significativamente”, durante
esta semana, concretamente nos hospitais Amadora-Sintra, Beatriz Ângelo
(Loures) e, em Lisboa “o próprio Santa Maria, que está também com muitas
dificuldades”.Ana Paula Martins vincou
que Portugal está “ainda, no meio de uma epidemia de gripe”, num inverno
mais severo do que o do ano passado e com vírus mais agressivos em
circulação, embora ainda não haja dados concretos sobre se o pico da
doença já foi atingido este ano.“Os nossos
virologistas dizem que, possivelmente, estamos mesmo a atingir o pico,
mas só saberemos daqui a mais alguns dias, se começarmos a ver o número
de infeções, através da rede Sentinela, a baixar”, explicou a ministra.Ainda
sobre a “criticidade dos tempos de espera” nos serviços de urgência,
Ana Paula Martins afirmou que esta incide, particularmente, sobre
doentes com pulseira amarela (os considerados urgentes), que definiu
como “muito frágeis, doentes crónicos, mais seniores, muito frágeis,
mesmo”.A governante notou, por outro lado,
que, em Lisboa e Vale do Tejo existe uma população “muito a descoberto
de médicos de família”, embora destacando o papel dos cuidados de saúde
primários em evitar que mais pessoas se dirijam aos serviços de
urgência.“Os cuidados de saúde primários,
durante esta época [de gripe] sazonal, têm estado muito ativos, têm
conseguido responder muito bem, mesmo em zonas onde há muita falta de
médicos de família, com várias consultas, centenas, milhares de
consultas por este país fora”, argumentou a governante.A
ministra da Saúde recusou ainda que os planos de contingência dos
hospitais para situações como uma epidemia de gripe estejam só no papel.“Isso
não é verdade. Os planos de contingência têm três níveis e têm sido
acionados pelas unidades locais de saúde, de acordo com aquilo que é a
dinâmica das situações que vão vivendo dia a dia. E, uma parte das
nossas Unidades Locais de Saúde, nomeadamente nestas áreas críticas, já
estão no nível três do plano de contingência. O que significa que já não
estão a fazer cirurgia adicional, já só estão a atender casos urgentes,
em termos cirúrgicos e casos na área da oncologia e a reservar toda a
sua capacidade, todas as suas camas, para poder atender os doentes
urgentes”, enfatizou.