Ministra anuncia auditoria à segurança das 49 cadeias do país
10 de set. de 2024, 17:45
— Lusa/AO Online
“Mandatei a Inspeção-Geral dos Serviços de
Justiça para dar início urgente a uma auditoria aos sistemas de
segurança de todos os 49 estabelecimentos prisionais do país. Temos de
ter confiança nos equipamentos, nos sistemas de segurança e de
vigilância”, afirmou Rita Alarcão Júdice em conferência de imprensa.Segundo a governante, a inspeção-geral “compromete-se a entregar o resultado dessa auditoria até ao final do ano”.Além
dessa, a ministra avançou que determinou uma segunda auditoria de
gestão ao sistema prisional para avaliar a organização e afetação de
recursos da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) e
de todos os estabelecimentos prisionais do país.“Esta
auditoria, necessariamente mais demorada, vai ajudar-nos na tomada de
decisões para uma melhor utilização de recursos e para efetuarmos as
mudanças que se imponham”, adiantou a ministra.Rita
Alarcão Júdice referiu ainda que aguarda o desfecho de outras
investigações em curso e do processo de auditoria que está a ser levado a
cabo pelo serviço de auditoria e inspeção da DGRSP, cujo trabalho
deverá estar concluído dentro de um mês.“Não hesitarei em dar impulso aos processos disciplinares ou penais que se revelem necessários”, garantiu.Na
sequência do relatório da auditoria à atuação dos serviços de
vigilância e segurança que recebeu, Rita Alarcão Júdice referiu
que, apesar de se manterem perguntas sem resposta e de algumas “zonas
cinzentas”, já foi possível tirar conclusões. “Temos
fundamento para concluir que a fuga de cinco reclusos resultou de uma
cadeia sucessiva de erros e falhas muito graves, grosseiras,
inaceitáveis que queremos irrepetíveis”, salientou a governante, para
quem “este episódio não traduz uma cultura de segurança e de exigência”.
A segunda conclusão é a de que a “fuga
foi orquestrada”, referiu a ministra, ao considerar que, como garantem
os peritos de segurança, resultou de plano “preparado com tempo, com
método e com ajuda de terceiros”. Outra
das conclusões que já é possível retirar é que a “recuperação da
confiança no sistema prisional vai exigir a responsabilização a vários
níveis e o reforço da fiscalização ao sistema prisional”, avançou Rita
Alarcão Júdice.Cinco reclusos fugiram no
sábado do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, em Alcoentre, no
concelho de Azambuja, distrito de Lisboa. Os
evadidos são dois cidadãos portugueses, Fernando Ribeiro Ferreira e
Fábio Fernandes Santos Loureiro, um cidadão da Geórgia, Shergili
Farjiani, um da Argentina, Rodolf José Lohrmann, e um do Reino Unido,
Mark Cameron Roscaleer, com idades entre os 33 e os 61 anos.Foram
condenados a penas entre os sete e os 25 anos de prisão, por vários
crimes, entre os quais tráfico de droga, associação criminosa, roubo,
sequestro e branqueamento de capitais.