Ministério vai pedir serviços mínimos se greves às avaliações avançarem
23 de mai. de 2023, 08:34
— Lusa/AO Online
“Os
alunos merecem ser avaliados, merecem não ver o seu acesso ao ensino
superior comprometido e, portanto, sim, faremos o pedido de declaração
de serviços mínimos para essas greves”, afirmou João Costa, em
declarações a jornalistas, à margem da festa final da 7.ª edição do
projeto Miúdos a Votos, que decorreu hoje em Lisboa na Fundação Calouste
Gulbenkian.Da parte das organizações
sindicais, as greves às avaliações finais - que arrancam em 16 de junho
para o 3.º ciclo e em 19 de junho para o ensino secundário - continuam
em cima da mesa até que o Governo aceite recuperar todo o tempo de
serviço congelado dos professores.Para o
ministro, no entanto, o tema ficou encerrado com a recente aprovação do
decreto-lei com vista à correção de assimetrias decorrentes do
congelamento da carreira.“Não é tudo, mas é
equilibrado”, afirmou o ministro, considerando que, apesar das criticas
das organizações sindicais, o diploma que aprova um conjunto de medidas
com efeitos na progressão da carreira dos docentes que trabalharam
durante os dois períodos de congelamento representa uma aproximação às
reivindicações.Antecipando que a greve às
avaliações possa mesmo avançar, João Costa acrescentou que os acórdãos
do Tribunal da Relação, publicados na semana passada, tornam inequívoca a
legitimidade de serviços mínimos no contexto de provas finais e exames
nacionais.Nas decisões sobre duas greves
nas escolas, em fevereiro e março, o Tribunal da Relação considerou
ilegais os serviços mínimos decretados, argumentando que “a imposição de
serviços mínimos no setor da educação cinge-se às atividades de
avaliações finais, de exames ou provas de caráter nacional que tenham de
se realizar na mesma data em todo o território nacional”.Sobre
esse tema, o ministro da Educação disse que o executivo ainda está a
analisar os acórdãos para decidir se irá ou não recorrer.A
contestação dos professores já se prolonga desde dezembro, com greves e
manifestações de forma quase ininterrupta, e os profissionais dizem
estar preparados para a manter também no próximo ano letivo, até que o
Governo aceite a recuperação de todo o tempo de serviço.Questionado
sobre como resolver o impasse, o ministro afirmou apenas: “Espero que
haja o bom senso de percebermos que o prejuízo para os alunos é real e
que o Governo tem dado passos na correção de vários problemas”.