Ministério reconhece "falha" no exame de Português e pede inspeção ao processo
Hoje 16:53
— Lusa/AO Online
A decisão tornada pública em comunicado surge depois de ter sido divulgado o
enunciado do exame nacional de Português, que tinha um item de
desenvolvimento praticamente igual ao publicado num caderno de
exercícios de apoio da editora Leya.O
ministro Fernando Alexandre pediu à Inspeção Geral da Educação e Ciência
(IGEC) que realize uma “auditoria aos procedimentos internos do
Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) no âmbito da
elaboração dos enunciados dos Exames Nacionais do Ensino Secundário,
designadamente ao nível da verificação de itens previamente publicados”.A
tutela considerou que houve “uma falha objetiva da equipa responsável
pela elaboração do exame na verificação de questões/itens já
disponibilizados por editoras” e por isso pediu ao EduQA “um parecer
técnico sobre os eventuais efeitos desta situação na equidade entre os
alunos que realizaram a prova”.O
ministério da Educação afirmou que a utilização da imagem em questão
“deveria ter sido evitada pelo EduQA”, tendo em conta a “prática
habitual de verificação exaustiva - no âmbito da elaboração de
enunciados - de cadernos de preparação disponibilizados pelas editoras, o
que evitaria situações semelhantes à ocorrida este ano”.Após
a conclusão do relatório da IGEC, “do qual deverão constar eventuais
propostas de medidas corretivas”, o ministério “tirará as devidas
consequências”, referiu ainda o comunicado.O
ministério esclareceu também que afinal os itens do exame nacional
foram feitos depois da publicação do livro de exercícios da Leya: “Ao
contrário da informação reportada inicialmente pelo EduQA ao Ministério
da Educação, Ciência e Inovação, aquele caderno de exercícios foi
disponibilizado em agosto de 2025, tendo a prova sido elaborada no
início de 2026”.Nos últimos anos, o Grupo
III do exame de Português é constituído por um item idêntico, variando
apenas o objeto das questões, que pode ser uma imagem, uma frase ou um
texto.A quase repetição de uma pergunta
que estava num manual de estudo motivou críticas de professores, que se
queixaram de desigualdade entre os alunos.A
pergunta contempla uma análise crítica em relação a um cartoon do
artista iraniano Takjoo, que tem como título “trabalho infantil” e
inclui uma criança a costurar num cavalo de madeiraA
mesma imagem foi utilizada num manual deste ano e continha a legenda “e
se o teu lápis fosse uma ferramenta contra o trabalho forçado?”. O
exame não indicava essa legenda, mas pedia, igualmente, um comentário
crítico à imagem.Já a Associação de
Professores de Português (APP) considerou que se tratou de “uma
coincidência infeliz”, salientando que a autora do manual, que integra a
direção da APP, “não é autora de provas de avaliação externa, não é nem
nunca foi nomeada como auditora de provas e não forneceu nem teve
acesso a informação privilegiada”.O exame de português foi realizado na terça-feira por cerca de 76 mil alunos.