Ministério Público e CMVM pedem manutenção de coimas à Pharol e a ex-administradores
BES
18 de nov. de 2020, 15:39
— Lusa/AO Online
No julgamento dos
pedidos de impugnação às coimas aplicadas pela Comissão do Mercado de
Valores Mobiliários (CMVM), num valor global de 2,5 milhões de euros, à
Pharol (antiga Portugal Telecom) e a sete antigos administradores, tanto
o procurador do Ministério Público, Eduardo Sá Couto, como a mandatária
da CMVM, Joana Miranda, pediram a manutenção da decisão administrativa.Em
causa no processo está a prestação de informação falsa ou incompleta
nos relatórios e contas de 2012, 2013 e primeiro trimestre de 2014 e nos
relatórios de governo societário de 2012 e 2013, relativa às aplicações
de tesouraria realizadas pela PT na Espírito Santo International (ESI) e
na Rioforte.Joana Miranda frisou, nas
suas alegações, que a prova produzida durante o julgamento, incluindo os
depoimentos dos arguidos recorrentes, veio confirmar os termos da
decisão administrativa, nomeadamente quanto a atuação dolosa, pelo que
pediu a manutenção das coimas únicas de um milhão de euros aplicada à
Pharol, de 600.000 euros a Zeinal Bava, de 750.000 euros a Henrique
Granadeiro, de 400.000 euros a Luís Pacheco de Melo e de 300.000 euros a
Amílcar Morais Pires.Na decisão
administrativa foram ainda condenados João Mello Franco, José Xavier de
Basto e Mário Matos Gomes, a coimas únicas de 150.000 euros cada um,
todas elas suspensas por dois anos.Quanto à
coima aplicada à Pharol, suspensa por dois anos em dois terços do seu
valor, o Ministério Público pediu ao Tribunal da Concorrência Regulação e
Supervisão (TCRS), em Santarém, a suspensão na totalidade por igual
período.Segundo a CMVM, a PT, sob a gestão
de Zeinal Bava primeiro e depois com Henrique Granadeiro, fez
aplicações de tesouraria (num processo que começou com a liquidez obtida
com a venda da Vivo, em 2010) na ESI, não cumprindo com as normas que
determinam a diversificação das aplicações, em instituições financeiras
com notação de ‘rating’.Frisando que a ESI
e, depois, a partir de janeiro de 2014, a Rioforte (para a qual foram
transferidas as aplicações financeiras de curto prazo da PT), não eram
instituições financeiras e não estavam sujeitas a ‘rating’ por agências
de notação de risco, Joana Miranda sublinhou a relevância da qualidade
da informação para os acionistas e potenciais investidores numa empresa
que estava cotada tanto na bolsa de Lisboa como na de Nova Iorque.Apesar
de a Pharol ter alegado no processo não lhe poder ser imputada a
responsabilidade dos atos praticados pelos seus administradores, a
mandatária afirmou que estes foram praticados em seu nome e sublinhou o
facto de a empresa ter entretanto alterado a sua estrutura interna e
tornada obrigatória a aprovação das aplicações financeiras pelo conselho
de administração, bem como a sua diversificação e a introdução de
limites às aplicações que o administrador financeiro pode aprovar.O
julgamento, que decorre por videoconferência a partir de uma sala no
Instituto Politécnico de Santarém prossegue à tarde com as alegações dos
recorrentes.