Ministério Público brasileiro pede arquivamento de investigação a Jair Bolsonaro
18 de fev. de 2022, 11:22
— Lusa/AO Online
A
decisão do Procurador-Geral do país, Augusto Aras, divulgada esta
quinta-feira, surge após o Supremo Tribunal Federal ter dado 15 dias ao
Ministério Público para comentar o caso.Aras
considerou que a investigação, iniciada para verificar uma alegada
invasão dos sistemas e bancos de dados do Tribunal Superior Eleitoral,
"não estava protegida pelo sigilo" de justiça, pelo que "a sua revelação
não constitui crime" e o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não
pode ser investigado."Com base nesta
descoberta, o Procurador-Geral Augusto Aras pediu ao Supremo Tribunal
Federal na quinta-feira para arquivar" a investigação, disse a
Procuradoria-Geral em comunicado.Acrescentou
que, por esta razão, "não há forma de atribuir às pessoas sob
investigação nem o crime de revelação do segredo, nem a violação do
segredo funcional".A investigação de que
Bolsonaro é alvo faz parte de um processo sobre falsas notícias que
inclui uma dura campanha que o Presidente manteve contra o sistema de
votação eletrónica que o Brasil adotou em 1996.Embora o sistema não tenha sido objeto de uma única queixa de fraude, Jair Bolsonaro alega que o sistema incentiva a fraude.Em
agosto do ano passado, Bolsonaro divulgou documentos policiais secretos
durante uma transmissão em direto, juntamente com o deputado Filipe
Barros e o comissário de polícia Vitor Feitosa, sobre uma tentativa de
ataque informático nas eleições de 2018, embora já tivesse sido provado
que o ataque não tinha afetado as eleições em que Bolsonaro foi eleito.Bolsonaro
foi convocado por um magistrado do Supremo Tribunal para testemunhar
perante a polícia no final de Janeiro, mas decidiu não comparecer, o que
mais uma vez aumentou as tensões com o mais alto tribunal do país.Neste
contexto, o Procurador-Geral, Augusto Aras, salientou que o próprio
Supremo Tribunal já declarou que a comparência do acusado para
interrogatório é "opcional", de modo que Bolsonaro, ao ausentar-se,
estaria a expressar o seu "direito constitucional"."O
facto de o Presidente da República não ter testemunhado é uma
manifestação do seu direito constitucional ao silêncio e à
não-auto-incriminação, o que impede a abertura de uma investigação
contra ele neste caso", sublinhou o Procurador-Geral, citado na mesma
nota.Apesar da ausência de Bolsonaro, a
Polícia Federal concluiu no relatório final da investigação, enviado ao
Supremo Tribunal, que o chefe de Estado teve "ação direta, voluntária e
consciente" na prática do crime de violação do segredo funcional.