Ministério Público alerta para a existência de falsas propostas de trabalho 'online'
2 de jun. de 2025, 11:33
— Lusa/AO Online
Numa nota publicada
pela Procuradoria-Geral da República, o Ministério Público alerta que
este tipo de esquema fraudulento tem feito muitas vítimas em Portugal,
“incluindo jovens no início de percurso profissional e desempregados que
procuram trabalho” e sugere que devem ser ignoradas chamadas
telefónicas ou mensagens escritas de números desconhecidos que dizem
oferecer uma vaga de trabalho que não foi pedida e que consiste em
tarefas muito simples e muito bem pagas. De
acordo com o Ministério Público, estes grupos criminosos têm uma
abordagem diferente daquela que era conhecida até agora: antes eram
utilizados anúncios nas redes sociais para atrair as vítimas e agora são
enviadas mensagens ou feitas chamadas com propostas de trabalho.Em
alguns casos, descreveu o MP, os agentes criminosos dizem pertencer ao
departamento de recursos humanos, apesar de nunca identificarem qual a
empresa para a qual trabalham, nem qual a localização da sede da suposta
empresa. O teor da mensagem é sempre o mesmo: “anunciar trabalho
online, a partir de casa”. Quando a vítima
aceita a alegada proposta de trabalho, nunca é feito um contrato de
trabalho, as comunicações passam a ser feitas através de mensagens e o
grupo criminoso vai dando orientações sempre por escrito.Numa
fase inicial são propostas pequenas tarefas, tendo o MP identificado
casos em que as vítimas foram usadas para branqueamento de capitais, uma
vez que a função era receber dinheiro de uma conta e encaminhar as
respetivas quantias para outra conta. Também
numa fase inicial, os grupos pedem às vítimas para que estas façam
avaliações de hóteis, “abusando do nome da plataforma “booking.com”, ou
pedem para seguir nas redes sociais determinadas páginas. Estes
pedidos são sempre acompanhados pela promessa de pagamento e, de facto,
explicou o MP, estas tarefas acabam por ser pagas depois de a vítima
enviar uma fotografia do seu ecrã como prova. Estes pagamentos
normalmente nunca ultrapassam os 10 euros. A
vítima passa depois para um nível superior, com a promessa de que irá
receber mais dinheiro. No entanto, nesta fase, terá de adiantar
dinheiro, “sendo-lhe prometido que depois o mesmo será devolvido,
acrescido de uma generosa comissão”. Uma vez que no início receberam o
dinheiro, as vítimas acreditam que o seu dinheiro será devolvido. Os
montantes pedidos começam a ser cada vez mais elevados e, em alguns
casos, o dinheiro pedido é de vários milhares de euros. “Os agentes
criminosos passam a exigir quantias cada vez maiores, prometendo
comissões maiores, mas que nunca pagam efetivamente”, lê-se na nota
publicada pela PGR. Quando as vítimas
percebem que os valores não serão devolvidos e pedem o seu dinheiro, os
grupos criminosos deixam de estar contactáveis através do 'WhatsApp' ou
do 'Telegram' e desaparecem.