Ministério do Ambiente diz que Praia da Vitória pode resolver entraves administrativos
12 de mai. de 2023, 16:43
— Lusa
“O município poderá,
mediante a celebração de um contrato-programa ou outra formalidade
considerada adequada, transferir a verba para a empresa municipal em
questão, ultrapassando assim o que considera ser «um entrave
administrativo». Este esclarecimento foi prestado via ‘e-mail’ à Praia
Ambiente, nos exatos termos aqui descritos, a 02 de janeiro de 2023 pelo
Fundo Ambiental”, adiantou fonte oficial do ministério, numa resposta
por escrito à agência Lusa.Na
segunda-feira, a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória,
Vânia Ferreira (PSD/CDS-PP), acusou o ministério do Ambiente de não
responder a pedidos de reunião, alegando que existiam processos
administrativos pendentes que podiam colocar em causa investimentos na
rede de água do concelho.Segundo Vânia
Ferreira, em causa estava uma obra orçada em cerca de 4,6 milhões de
euros de reforço do subsistema de abastecimento de água Agualva-Praia da
Vitória, que corria “o risco de não ser realizada”, por falta de “uma
adenda ao protocolo” entre o Fundo Ambiental e o município, que
incluísse a empresa municipal Praia Ambiente como entidade executora da
empreitada.“A Praia Ambiente é que tem
delegada a competência na execução destes trabalhos, mas, como não está
referida no protocolo, o Fundo Ambiental pode transferir as verbas para a
câmara, mas esta, por imposição legal, não as pode transferir para a
Praia Ambiente”, explicou, em comunicado de imprensa.O
ministério do Ambiente afirmou que “o Fundo Ambiental não tem qualquer
margem legal de aditamento do protocolo nos termos solicitados pelo
município, visto que o disposto na Lei do Orçamento de Estado (Lei n.º
75-B/2020), no seu art.º 84.º, menciona o Município da Praia da Vitória e
não a Praia Ambiente, como beneficiário do apoio do Fundo Ambiental”.A
tutela do Ambiente acrescentou que o protocolo, assinado entre o Fundo
Ambiental e o município da Praia da Vitória em setembro de 2021, prevê a
transferência de uma verba global de 4,6 milhões de euros, distribuída
de 2022 a 2025, mas que o município ainda não apresentou qualquer pedido
de pagamento.“Para o ano 2022 havia uma
previsão de execução de apenas 167.000 euros, encontrando-se a restante
verba distribuída pelos anos seguintes. Conforme determinado pelo
protocolo, as transferências são efetuadas a título de reembolso,
mediante apresentação de relatórios de progresso. No entanto, até ao
momento, o município não dirigiu ao Fundo Ambiental qualquer pedido de
pagamento”, avançou.Quanto aos pedidos de
reuniões, que a autarquia alega não serem respondidos “há vários meses”,
o ministério disse que já foi “agendada uma reunião”, ressalvando que,
“desde o início dos protocolos, existiu sempre contacto e acompanhamento
pelo Fundo Ambiental, que deu resposta às solicitações do município”.A
autarquia acusou ainda o ministério do Ambiente de não pagar os
“trabalhos a mais na empreitada de adução e abastecimento de água Santa
Rita/Juncal”.“No troço da Canada da
Mesquita, foram realizados trabalhos resultantes de suspeitas de
contaminação dos solos. O ministério da Defesa, em 2021, reconheceu a
validade destes e o seu enquadramento no Fundo Ambiental. Mas, até hoje,
o ministério do Ambiente nunca transferiu essa verba para que o Fundo
Ambiental possa ressarcir a Praia Ambiente”, apontou.O ministério do Ambiente disse, no entanto, que não está prevista a transferência de valores adicionais para aquela obra.“A
empreitada Santa Rita/Juncal foi apoiada pelo Fundo Ambiental nos
moldes definidos pelo município, cujo protocolo foi cumprido na íntegra.
Existindo trabalhos a mais, não são enquadráveis no mesmo protocolo,
visto que a verba nele prevista se encontra esgotada”, explicou.