Ministério deve preparar-se para “aumento excecional” de pedidos de reapreciação
Hoje 16:54
— Lusa
“Estamos
perante a possibilidade de o sistema ter de responder a um volume cinco
ou dez vezes superior ao habitual”, sublinha a federação sindical em
comunicado.Segundo a FNE, em anos anteriores, a taxa de pedidos de reapreciação de prova ronda os 2%.Com
mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos dos 11.º e 12.º anos,
essa percentagem corresponde a cerca de seis mil exames, mas a FNE avisa
que este ano poderão existir dezenas de milhares de processos,
justificando que os problemas registados ao longo do processo de
classificação minaram a confiança dos alunos e das famílias.“Um
cenário de aumento significativo dos pedidos de reapreciação teria
consequências muito relevantes na mobilização de professores
classificadores, na carga de trabalho das estruturas envolvidas, na
capacidade de resposta dos sistemas tecnológicos e administrativos e no
cumprimento dos prazos estabelecidos”, alerta.Perante
essa possibilidade, a federação sindical considera indispensável que o
Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) tenha preparado um
plano de contingência.Deverão ser
assegurados os recursos humanos necessários, mecanismos de mobilização
dos professores, capacidade dos sistemas tecnológicos e administrativos e
direitos dos professores envolvidos, em particular o direito ao
descanso e férias.“Depois da pressão
excecional a que muitos professores foram sujeitos, não seria aceitável
que uma eventual insuficiência de planeamento na fase das reapreciações
viesse novamente a ser compensada através da sobrecarga, da
disponibilidade permanente ou do sacrifício dos períodos de descanso dos
docentes”, escreve a FNE.Pela primeira
vez este ano, as provas dos 11.º e 12.º anos, que continuam a ser
realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital, um
processo que implica que sejam digitalizadas e só depois distribuídas
pelos professores para serem avaliadas.No
entanto, os sistemas informáticos apresentaram problemas desde o início,
com atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das
folhas de resposta, problemas técnicos na plataforma utilizada para
corrigir.A poucas horas do fim do prazo
para concluir o processo de classificação dos exames nacionais do
secundário, que termina hoje, ainda há professores a serem convocados e
relatos de itens incompletos.Além do
impacto desses constrangimentos na confiança dos alunos e famílias no
processo, a FNE acrescenta que a alteração de procedimentos também
poderá contribuir para o aumento do número de pedidos de reapreciação.Ao
contrário dos anos anteriores, cada professor está a corrigir várias
respostas à mesma pergunta, em vez de avaliar o exame completo.“No
modelo anteriormente utilizado, o professor classificador analisava a
prova na sua globalidade, dispondo de uma visão integral do desempenho
do aluno e de uma perceção global da coerência e da qualidade das
respostas apresentadas”, refere a FNE.Este ano, os classificadores não têm acesso à prova completa e, por isso, não conseguem ter “uma leitura global do exame”.“Sabendo
que uma pequena alteração na cotação de uma ou mais respostas poderá
traduzir-se numa melhoria da classificação final, é legítimo admitir que
um número significativo de alunos e famílias considere existirem razões
suficientes para solicitar a reapreciação da prova”, sustenta a FNE.Habitualmente,
depois de afixadas as pautas, os alunos dispõem de dois dias úteis para
pedir para consultar as provas e outros dois dias, após o período de
consulta, para formalizar o pedido de reapreciação.Este
ano, contudo, todos os alunos terão acesso às respetivas provas, em
formato digital, sem necessidade de solicitar a consulta.A
Lusa questionou o MECI sobre como vai decorrer a reapreciação das
provas, tendo em conta as alterações aos procedimentos de classificação,
e aguarda resposta.