Ministério deve olhar para luta dos trabalhadores contra o pacote laboral
Hoje 16:00
— Lusa/AO Online
“A
derrota do pacote laboral em sede parlamentar constituiu uma importante
vitória dos trabalhadores”, afirmou a Federação Nacional dos
Professores (Fenprof), em reação à votação da proposta do Governo para
rever a legislação laboral, chumbada na sexta-feira com os votos contra
do Chega e da esquerda.O texto contou
apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo
(PSD-CDS-PP) e da IL. PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP juntaram-se nos
votos contra da bancada do Chega, após o partido de André Ventura não
ter alcançado um acordo com o PSD.Para a
Fenprof, o resultado resultou da “luta corajosa e persistência com que
os trabalhadores enfrentaram o ataque do Governo aos seus direitos”, que
“obrigou mesmo aqueles que estavam dispostos a dar a mão ao governo a
recuar nesta intenção”, referindo-se ao Chega.Por
outro lado, destaca o contributo dos professores a quem não convenceram
as garantias do ministro da Educação, Ciência e Inovação de que as
alterações propostas pelo Governo não teriam implicação nos docentes.“A
conclusão que o Governo deve retirar é que impor aos trabalhadores algo
que eles claramente rejeitam não é caminho”, escreve a federação
sindical, que insta a tutela a considerar a oposição ao pacote laboral
no âmbito das negociações sobre o Estatuto da Carreira Docente.Afirmando
que “também (o ministro) Fernando Alexandre e a sua equipa devem
perceber a obrigação governativa de resolver e não de criar problemas”, a
Fenprof considera inaceitável o ritmo a que têm decorrido as
negociações, iniciadas em janeiro e que prosseguem na sexta-feira com
uma reunião dedicada ao segundo de sete temas do protocolo negocial.“Pelo
andamento, a legislatura não será suficiente para concluir o processo
de revisão do ECD”, lamenta a federação, sublinhando que está em causa
um “instrumento fundamental da valorização” dos professores.Antecipando
a reunião negocial de sexta-feira, os representantes dos professores
dirigem-se ao Ministério da Educação, sugerindo que “saiba (…) ler o
sentido das exigências e da disponibilidade para a luta dos professores”
e “o profundo significado da luta que conduziu à derrota do pacote
laboral”.