Ministério da Justiça ordena auditoria interna à PJ sobre mandatos de Luís Neves
Hoje 16:18
— Lusa/AO Online
“Foi
determinada a realização de uma avaliação interna, destinada a enquadrar
as questões que têm vindo a ser divulgadas pelos meios de comunicação
social, notícias relativas ao funcionamento interno da Polícia
Judiciária e aos processos de avaliação eventualmente instaurados pela
Direção de Serviços de Disciplina e Inspeção, unidade da Polícia
Judiciária, atentas as competências dessa direção”, confirmou o MJ à
Lusa.Segundo o ministério liderado por
Rita Alarcão Júdice, que tutela a PJ, “em paralelo, a Inspeção-Geral dos
Serviços de Justiça (IGSJ) — que procede regularmente à auditoria e
inspeção de todos os organismos da Justiça — realizará também uma
auditoria à PJ.A notícia das auditorias ordenadas pelo MJ foi inicialmente avançada pelo Público e pelo Expresso.O
MJ adiantou ainda que “entendeu não se justificar solicitar à IGSJ a
abertura de um processo de averiguações relativamente à deslocação do
atrelado, porquanto essa matéria já é objeto de um processo de
inquérito, dirigido pelo Ministério Público”, a propósito do atrelado
apreendido no âmbito de um processo de tráfico de droga e que com
autorização de Luis Neves foi colocado à guarda do empreiteiro que fez
obras na PJ e numa casa no Alentejo do atual ministro da Administração
Interna.No dia 17 de julho, a PJ anunciou
que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de
tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa
Construbarcelos, em Barcelos.A direção
nacional desta polícia explicou, em comunicado, que "teve conhecimento
[a 14 de julho] de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito
relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e
parqueada em Barcelos".Com esta
informação, foi instaurado um inquérito "para apurar as circunstâncias
da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos
criminosos", acrescentou a PJ, confirmando que “a galera se encontrava
estacionada em Barcelos, atracada a um camião da empresa
Construbarcelos” e que, por se tratar de um bem apreendido, ficou
“novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a
mesma carregava, esclarecendo-se que estes não têm natureza
estupefaciente”.Já a Procuradoria-Geral da
República confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens
apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba’”, tendo
acrescentado posteriormente que o inquérito está a cargo do Ministério
Público e que, por agora, a investigação não será delegada em nenhum
órgão de polícia criminal, que inclui a PJ.Em
conferência de imprensa a 29 de julho Luís Neves reconheceu que a
entrega do atrelado à Construbarcelos foi uma decisão sua,
considerando-a “um puro ato de boa gestão”.Luís
Neves tem também sob escrutínio as obras que realizou numa propriedade
em Odemira, no Alentejo, nomeadamente a piscina sem licenciamento, que
segundo o ministro foi projetada para ser um tanque, tendo ainda Luís
Neves afirmado que desconhecia que o monte se localizava em área de
Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional.Foi
também tornado público que ao longo dos oito anos de mandato de Luís
Neves à frente da PJ o ex-diretor nacional não entregou na Entidade para
a Transparência, que funciona junto do Tribunal Constitucional, as
declarações de património a que, dado o cargo público, estava obrigado.Luís
Neves afirmou que nunca foi notificado para o efeito, tendo a Entidade
para a Transparência, por seu lado adiantado à Lusa que a PJ nunca
comunicou a recondução em funções de Luís Neves, em 2024, e o Tribunal
Constitucional afirmou nunca ter recebido as declarações únicas do
ex-diretor nacional relativa a qualquer dos três mandatos.As
informações prestadas à Lusa pela Entidade para a Transparência e pelo
Tribunal Constitucional confirmam que a PJ não comunicou o início de
nenhum dos três mandatos de Luís Neves como diretor nacional,
incumprindo as obrigações previstas na lei.Foi noticiado que o Ministério Público remeteu para julgamento no
Tribunal de Contas Luís Neves e uma sua diretora adjunta na PJ, Luísa
Proença, por alegadas irregularidades financeiras durante o seu mandato.O
ministro da Administração Interna disse hoje que é a seu pedido que o
Tribunal de Contas vai julgar essas alegadas irregularidades, afirmando
que em causa estão apenas dois factos, relacionados com viagens, que
resultaram de "inúmeras inspeções" das quais a PJ saiu "bem globalmente"
e sobre os quais aquele tribunal entendeu, inicialmente, que "as
explicações foram suficientes".