Ministério da Justiça alega que reforçou cuidados de saúde após críticas ao sistema prisional
25 de mai. de 2022, 16:15
— Lusa/AO Online
O esclarecimento do MJ
surge após o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alertar na
terça-feira para "os graves problemas dos cuidados de saúde" da
população reclusa, especialmente os cuidados psiquiátricos, uma situação
"com tendência a piorar", e pedir resposta urgente do Governo. "A
manutenção de doentes mentais graves, em meio prisional ao longo destes
últimos anos, é insustentável", refere uma carta do SIM à ministra da
Justiça, Catarina Sarmento e Castro, na qual se alerta que a situação
leva a que nem os doentes inimputáveis nem os reclusos doentes mentais
"estejam a ser devidamente tratados". Em informação hoje prestada
sobre saúde no sistema prisional, o MJ salienta que o Governo tem vindo
a reforçar, desde 2015, o número de médicos e enfermeiros no sistema
prisional, acrescentando que "se, em 2015, existiam apenas 78
enfermeiros efetivos no quadro de pessoal da Direção-Geral de Reinserção
e Serviços Prisionais (DGRSP), hoje são 193". "Acresce que o
número de efetivos é reforçado com a contratação de profissionais em
regime de avença. Em 2021, foram contratados 196 médicos, 138 técnicos
de saúde, 343 enfermeiros e 109 auxiliares de ação médica", indica o MJ
O Ministério dirigido por Catarina Sarmento e Castro adianta que estão
também a ser instalados, em articulação com a área governativa da Saúde,
52 balcões SNS 24 nas prisões, permitindo "o acesso a teleconsultas
agendadas em qualquer unidade do SNS/Serviço Nacional de Saúde. "Foram ainda distribuídos 70 equipamentos informáticos para este projeto", diz o MJ. Paralelamente,
o MJ refere que, em janeiro de 2020, entrou em funcionamento a nova
unidade de psiquiatria forense no Hospital Magalhães Lemos, que diz ser
fruto da "boa articulação" entre Justiça e Saúde, notando que esta
unidade acolheu 40 reclusos inimputáveis, que se encontravam internados
na clínica de psiquiatria forense do Estabelecimento Prisional de Santa
Cruz do Bispo. O MJ esclarece ainda que a atual taxa de
ocupação global do Hospital Prisional (Caxias), incluindo os chamados
reclusos afetos (79) e os doentes temporariamente internados (53), num
total de 132, é de 65,8%. "Relativamente à capacidade de espaço
dedicado aos serviços de Psiquiatria, o acolhimento tem sido assegurado à
medida que abrem vagas forenses nos hospitais do SNS. Mesmo que
fisicamente alocados a uma enfermaria ou serviço distinto no interior do
hospital prisional, todos os doentes estão a ser objeto de
acompanhamento clínico dos serviços de psiquiatria", garante o MJ.
O MJ afirma ainda que esta "é uma matéria em que o Governo tem
trabalhado de forma muito empenhada para encontrar respostas, atento ao
facto de que o aumento das doenças em contexto prisional reflete o
envelhecimento progressivo da população prisional". Na carta
enviada à ministra da Justiça, o SIM pede uma resposta dentro de 30
dias, admitindo, na falta dela, consultar os associados quanto à
possibilidade de uma greve dos médicos, pedindo ao mesmo tempo a
intervenção da Ordem dos Médicos.