Militares polacos usam gás lacrimogéneo para repelir migrantes na fronteira com Bielorrússia
Migrações
16 de nov. de 2021, 13:36
— Lusa/AO Online
De
acordo com as mesmas fontes, os migrantes romperam as cercas na zona de
passagem da fronteira de Bruzgui-Kuznica para tentar entrar na Polónia,
ou seja, no espaço da União Europeia (UE), e atiraram pedras contra os
militares polacos.A situação também foi
divulgada pelo Ministério da Defesa polaco, que, numa declaração
divulgada através da rede social Twitter, descreveu os acontecimentos em
Kuznica.“Kuznica: Os migrantes estão a
atacar os nossos soldados e oficiais com pedras e a tentar destruir a
cerca para entrar na Polónia”, escreveu o ministério, acrescentando que
“as forças [polacas] usaram gás lacrimogéneo e granadas atordoantes para
repelir o ataque dos migrantes”.Depois do
confronto, a situação acabou por acalmar e os migrantes regressaram ao
seu acampamento improvisado, em território bielorrusso.A
generalização dos confrontos com os seus vizinhos europeus foi
precisamente o que o Presidente bielorrusso afirmou hoje que quer
evitar.Alexander Lukashenko garantiu que
quer evitar a escalada da crise migratória na fronteira com a Polónia,
da qual é acusado de ser responsável, e adiantou ter conversado com a
chanceler alemã sobre uma possível solução.Segundo
o regime de Minsk, o Presidente bielorrusso propôs, durante uma
conversa telefónica realizada na segunda-feira com a chanceler alemã,
Angela Merkel, uma forma de resolver a crise migratória na fronteira,
mas escusou-se a referir pormenores.“Decidimos
com Merkel que, para já, não vamos falar especificamente sobre isso.
Ela pediu tempo, uma pausa, para discutir essa proposta com os membros
da UE”, justificou.Lukashenko adiantou que
aguarda um novo telefonema de Merkel para continuar a discutir uma
possível solução e sublinhou que o maior problema é a situação dos mais
de 2.100 migrantes que se reuniram perto da passagem da fronteira em
Bruzgui-Kuznica, no lado bielorrusso da fronteira com a Polónia.“O
problema, como disse Merkel, é que se não salvarmos estas pessoas,
todos perderemos: a Bielorrússia, mas também e ainda mais a UE, que não
permitiu a entrada destes refugiados. É por isso que a situação dos
refugiados deve ser resolvida imediatamente”, referiu. Varsóvia
tem acusado a Bielorrússia de usar migrantes, maioritariamente oriundos
do Médio Oriente, para desestabilizar a UE, atraindo-os com vistos e
facilitando-lhes a chegada à fronteira com países do bloco comunitário.Na
semana passada, Merkel conversou telefonicamente com o Presidente
russo, Vladimir Putin, tendo afirmado considerar “inaceitável e desumana
a instrumentalização de migrantes” na fronteira entre a Polónia e a
Bielorrússia, onde milhares de pessoas estão concentradas em
acampamentos precários, sem alimentos e expostas a baixas temperaturas, à
espera de uma oportunidade para entrar no espaço da UE.Na
segunda-feira, Bruxelas e Washington anunciaram querer ampliar, nos
próximos dias, as sanções ao regime de Minsk, já sancionado devido à
repressão contra a oposição desde as eleições de 2020.“O
principal hoje é defender o nosso país, o nosso povo e evitar
confrontos”, disse Lukashenko, citado esta terça-feira pela agência
Belta.“Este problema não deve transformar-se num confronto feroz”, concluiu.