Milhares de professores e outros trabalhadores em greve manifestaram-se em Londres
1 de fev. de 2023, 17:48
— Lusa
A
manifestação decorreu hoje à tarde e acabou com a entrega de uma
petição na residência oficial do primeiro-ministro britânico, Rishi
Sunak, em Downing Street, contra a legislação que impõe serviços mínimos
em certos setores. O documento foi
entregue pelo secretário-geral da federação intersindical britânica
Trades Union Congress (TUC), Paul Nowak, juntamente com representantes
dos Sindicatos dos Bombeiros e do Serviço de Ambulâncias."Tomaremos
todas as medidas à nossa disposição para defender o direito à greve.
Estamos a analisar muito cuidadosamente a forma como o faremos, a fim de
tomar medidas legais se esta lei for por diante", afirmou a
secretária-geral adjunta do TUC, Kate Bell, em declarações aos
jornalistas. Sindicatos representativos
de quase meio milhão de pessoas, incluindo 100.000 funcionários
públicos, convocaram uma greve para hoje que afetou mais de 23.000
escolas e paralisou a maioria dos comboios e um grande número de
autocarros.O sindicato de professores
National Education Union disse que 85% das cerca de 23.000 escolas
afetadas estão fechadas total ou parcialmente. Porém,
o Ministério da Educação indicou que só cerca de 52% das escolas foram
parcialmente fechadas ou encerradas entre os 16.400 estabelecimentos
públicos que providenciaram informação."A
remuneração dos professores, juntamente com grande parte do setor
público e em todos os setores, tem sido reduzida em termos reais desde
2010. O salário dos professores foi reduzido em 20%", disse Martin Rush,
um professor que participou no protesto na capital britânica, à agência
espanhola EFE.Embora algumas escolas
tenham oferecido um aumento de 5% aos professores, segundo contou também
à EFE a mulher de Martin Rush, Alice, igualmente professora, estes
fundos "têm de vir do orçamento escolar”, pelo que "um aumento vai ser à
custa de dinheiro retirado às crianças".Na manifestação também participaram jovens em apoio à causa dos professores.Para
os próximos dias e semanas estão previstas mais greves, incluindo dos
enfermeiros e dos tripulantes de ambulância, prolongando meses de
disrupção no quotidiano dos britânicos devido às disputas sobre salários
e condições de trabalho entre os sindicatos e o Governo britânico.Os
sindicatos exigem aumentos ainda este ano acima da taxa de inflação
atual de 10,5% para compensar a perda de compra causada sobretudo pela
subida dos preços da energia e alimentação. O
Governo tem argumentado que este valor é incomportável porque arrisca
atear a inflação, preferindo negociar aumentos para o ano fiscal que
começa em abril. Desde o verão passado que
o Reino Unido regista greves e protestos em múltiplos setores, que
estão a ser comparadas aos grandes conflitos laborais dos anos 1970
conhecidos por “inverno de descontentamento”.