Milhares de haitianos manifestam-se contra violência e marcham até sedes de instituições
2 de abr. de 2025, 19:44
— Lusa
Nos
protestos, participam pessoas deslocadas que vivem em campos na capital
haitiana depois de terem sido forçadas a abandonar as suas casas, bem
como residentes dos distritos de Canape-Vert (palco de resistência às
ameaças de grupos armados que pretendem invadir a zona), Turgeau,
Carrefour-feuilles, Pacot, Debussy, Delmas e zonas vizinhas.Nesta
jornada de grande tensão, alguns grupos dirigem-se para os edifícios
das instituições, nomeadamente para a chamada Ville d'Accueil, onde se
situam os gabinetes do primeiro-ministro e onde decorrem as reuniões do
Governo e dos membros do Conselho Presidencial de Transição (CPT).Os
manifestantes, muitos deles vestidos de preto, anunciaram que vão
prosseguir as manifestações se as autoridades não tomarem medidas para
resolver a situação de insegurança, que continua a agravar-se.Além
disso, segundo a comunicação social local, um helicóptero alugado pelo
Governo foi atingido por tiros quando voava de Port-au-Prince para
Cap-Haïtien, no norte do país, e um polícia ficou ferido, embora sem
gravidade.Embora a violência afete
principalmente Port-au-Prince (pelo menos 85% da área metropolitana da
capital está sob o controlo de gangues), nos últimos dias estendeu-se a
cidades de províncias como Mirebalais (centro do país), onde a coligação
de gangues Vivre Ensemble (Viver Juntos), liderada pelo poderoso Jimmy
Chérizier, conhecido como “Barbecue”, incendiou a prisão local, de onde
fugiram mais de 500 reclusos, segundo dados fornecidos pela Rede
Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (RNDDH).De
acordo com o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos
Humanos, Volker Türk, pelo menos 4.239 pessoas foram mortas e 1.356
feridas no Haiti entre julho e fevereiro últimos, com armas que entraram
ilegalmente do estrangeiro, apesar do embargo de armamento imposto pelo
Conselho de Segurança da ONU.Noventa e
dois por cento das vítimas foram atingidas por armas de fogo que
circulam no país, que são cada vez mais sofisticadas e que são entre
270.000 e 500.000 unidades, afirmou Türk, ao apresentar ao Conselho dos
Direitos Humanos o mais recente relatório da sua organização sobre este
país das Caraíbas.O Haiti fechou o ano de
2024 com um balanço sangrento, segundo dados verificados pela ONU: mais
de 5.600 pessoas morreram em consequência da violência, outras 2.212
ficaram feridas e registaram-se 1.494 sequestros.