Milhares de agricultores espanhóis manifestam-se em Sevilha por causa da seca
1 de fev. de 2024, 18:28
— Lusa
Na
manifestação, que se realizou na capital da região autónoma da
Andaluzia, estiveram 15.000 pessoas, segundo os organizadores, enquanto a
polícia estimou 5.000 participantes.O
protesto foi convocado por diversas associações agrícolas de Huelva, que
consideram estar em causa a sobrevivência da agricultura nesta região,
sublinhando que à falta de infraestruturas para gestão da água se soma
atualmente uma "seca extrema".A
manifestação foi encabeçada por uma faixa com a frase "Água para o
campo, alimentos para o mundo", numa referência à produção agrícola na
província de Huelva, que é exportada para outros países europeus.Os
agricultores leram um manifesto em que pedem "as infraestruturas
hídricas essenciais para a sobrevivência" da agricultura de Huelva.Segundo
o texto, por causa de infraestruturas de acesso e gestão da água, a
agricultura nesta região vive "uma situação limite" e os agricultores
pedem que avancem infraestruturas "prometidas há décadas" que
permitiriam "enfrentar melhor esta situação de seca estrutural".A
falta de água nesta região espanhola tem levado os agricultores e
autoridades locais a levantar a possibilidade de ser pedida água a
Portugal ou até a uma revisão da Convenção de Albufeira, o tratado
luso-espanhol que regula a gestão dos rios partilhados entre os dois
países.A Andaluzia vive uma "situação
extrema" de seca, disse o próprio presidente do governo autonómico, Juan
Manuel Moreno (conhecido como Juanma Moreno) no dia 18 de janeiro,
quando pediu ajuda europeia e insistiu na transferência de água desde
Portugal.O presidente da Junta da
Andaluzia lembrou que a região, além de ser um dos grandes destinos de
turismo de Espanha e da Europa no verão, é também a "maior potência
agrícola" do país e "produz alimentos para 500 milhões de pessoas" de
diversos países.Segundo afirmou, a seca
que vive a Andaluzia já está a ter impacto na economia regional por
causa dos efeitos na agricultura, nomeadamente a quebra em um ponto
percentual do Produto Interno Bruto (PIB) andaluz.Juanma
Moreno pediu a canalização de fundos europeus para a região
especificamente para obras relacionadas com infraestruturas de gestão de
água e maior envolvimento do Governo central de Espanha, defendendo
mais transvases e transferências entre rios espanhóis, mas também que se
estudem transvases "entre países", nomeadamente, desde Portugal.Em
dezembro passado, Juanma Moreno chegou mesmo a dizer que o governo
regional está a fechar um projeto que vai permitir levar água a partir
de Portugal. A Lusa contactou na altura o
Ministério do Ambiente e Ação Climática português sobre este projeto,
tendo fonte do gabinete de imprensa respondido que "as relações com
Espanha devem seguir o que está definido pela Convenção de Albufeira",
texto que regula a gestão dos rios partilhados entre os dois países. "Não fomos informados pela APA [Agência Portuguesa do Ambiente] de nenhuma proposta por parte de Espanha", acrescentou.O
Governo de Espanha, através do Ministério da Transição Ecológica e
Desafio Demográfico, disse, também em dezembro, que por causa da queda
do Governo português só voltará a haver reuniões no âmbito da Convenção
de Albufeira depois das eleições nacionais e da formação do novo
executivo em Portugal, numa resposta a questões da Lusa sobre os
contactos entre Madrid e Lisboa relacionados com as reivindicações da
Andaluzia.