Miguel Oliveira quer aprender sem pensar nos resultados na estreia no MotoGP
2019
20 de dez. de 2018, 10:00
— Lusa/AO Online
O
conselho parte do mais bem-sucedido piloto português no motociclismo
mundial até ao aparecimento do jovem natural da Charneca de Caparica
(Almada). "Ele
estava completamente adaptado à Moto2 e agora tem pela frente um
cenário completamente diferente", sublinhou Miguel Praia, que tem sido
um dos conselheiros privilegiados de Oliveira.O
piloto vai estrear-se na categoria rainha aos comandos de uma KTM, da
formação Tech3, que até ao pódio na última corrida do ano tinha como
melhor resultado um 10.º lugar.Aos
23 anos, Oliveira chega ao MotoGP depois de ter sido vice-campeão do
mundo em Moto2, em 2018, e Moto3, em 2015, com um total de seis
triunfos, três em cada uma das categorias secundárias.Miguel
Praia, que chegou a disputar o Mundial de Superbikes, para motas
derivadas das de série, advertiu que as MotoGP "são completamente
diferentes" e bastante mais potentes."A
eletrónica é muito mais interventiva. A potência de travagem e de motor
é muito maior, pelo que será um ano de aprendizagem", frisou o
algarvio, referindo-se às diferentes de cerca de 140 cavalos de potência
entre Moto2 (130cv) e MotoGP (270cv).O
facto de estar incluído na Tech3 e não na equipa oficial pode tornar o
cenário mais complicado para o piloto da KTM, pois vai ter de "aprender
com quem também está a aprender", uma vez que a equipa francesa faz
também a sua estreia com as máquinas austríacas depois de anos com a
Yamaha.O
próprio patrão da equipa, o francês Hervé Poncharal, em entrevista à
Lusa, salientou que "um top 10 com Miguel na primeira metade da época de
2019 será fantástico", mas que não espera "isso no início".O
português admitiu que tem em mãos uma mota "que foi pensada para estar
entre o 10.º e o 15.º lugar", reconhecendo a dificuldade de lutar por
pódios nas primeiras corridas.Contudo, Miguel Praia disse acreditar que "é realista apontar para um lugar nos pontos, entre os 15 primeiros". "Seria
já um resultado de louvar", referiu Miguel Praia, salientando que, “em
condições de chuva, em que o Miguel Oliveira é forte, pode haver uma
surpresa”.O
antigo piloto alertou ainda para maior exigência física em MotoGP,
considerando-a uma dificuldade para quem, como o português, tem uma
condução mais fluida."Estamos
a preparar um trabalho de pré-época para o ajudar a ganhar mais massa
muscular pois vai ter de ter mais força para se aguentar em cima da
mota. Agora também temos uma pista de ‘flat track’ [uma pista para
treinar equilíbrio e derrapagens], como a do Valentino Rossi", explicou
Miguel Praia.Ter
consciência das limitações que vai enfrentar ao longo da temporada é um
dos pontos fortes de Miguel Oliveira, que o vai ajudar a lidar com a
pressão acrescida da comparação com outros estreantes, como os italianos
Francesco Bagnaia, atual campeão do mundo de Moto2, e Fabio Quartararo e
o espanhol Joan Mir."Ele
tem consciência que os adversários no título para melhor ‘rookie'
correm com melhores motas, em projetos mais desenvolvidos e experientes.
O Miguel tem de se abstrair disso", ressalvou.A
edição de 2019 do Mundial de MotoGP inclui 19 corridas, a primeira das
quais no Qatar, em 10 de março, e a última em Valência, em 17 de
novembro.