Miguel Albuquerque diz que redução de cofinanciamento é "machadada" na coesão da UE
23 de nov. de 2018, 13:19
— Lusa/AO Online
"Isso é de facto
uma machadada naquelas que são as expetativas da coesão do
desenvolvimento equitativo, irreversível e necessário do nível de vida
das nossas populações", declarou hoje o chefe do executivo madeirense.Miguel
Albuquerque falava em Las Palmas, Espanha, na sessão de encerramento da
XXIII Conferência dos Presidentes das Regiões Ultraperiféricas (CPRUP)
da União Europeia, reunida desde quinta-feira nas Canárias.O
governante sinalizou ainda ser "extremamente grave" uma eventual
redução nas verbas da Política de Coesão, cortes que podem "pôr em causa
a consolidação do projeto europeu e a falta de adesão das populações ao
projeto" comunitário."É
um corte drástico que ascende a cerca de 45% e que vai agravar os
desfasamentos e vai fazer com que a Europa continue com diversos níveis
de crescimento", advertiu, dirigindo-se, entre outros, à comissária
responsável pela Política Regional, Corina Creţu, presente na sessão.Admitindo
que está "ainda longe o fim do processo negocial" para o próximo quadro
comunitário e que "muita coisa poderá acontecer", Miguel Albuquerque
diz que o papel das regiões ultraperiféricas e dos Estados-membros onde
estas estão integradas "será determinante para reverter esta política de
corte no Fundo de Coesão, que levará a um aumento das disparidades" no
seio da Europa.A
XXIII Conferência dos Presidentes das Regiões Ultraperiféricas da União
Europeia formalizou na declaração final a rejeição de "qualquer redução
das taxas de cofinanciamento europeu" e exigiu de Bruxelas a reposição
da taxa de 85%, ao contrário dos propostos 70%.O
cofinanciamento europeu é o instrumento que permite, por exemplo, aos
governos regionais e às autarquias locais receberem apoio na
implementação ou construção de projetos ou obras, sendo que, quanto
maior a taxa de cofinanciamento, menor orçamento próprio é necessário
destinar à referida obra.É
também advogada, no texto final, a "necessidade de uma conclusão, tão
rápida quanto possível, das negociações sobre o próximo quadro
financeiro plurianual e os seus diferentes regulamentos e programas,
para evitar hiatos e disrupções prejudiciais ao contínuo crescimento
económico e social" da União Europeia e das regiões.A
CPRUP é uma estrutura de cooperação política que junta os presidentes
dos órgãos executivos das regiões ultraperiféricas dos Açores, Madeira,
Canárias, Guadalupe, Guiana, Martinica, Reunião, Maiote e Saint-Martin,
territórios que, no seu conjunto, abrangem quase cinco milhões de
cidadãos europeus.