Miguel Albuquerque critica "discriminação intolerável" por parte da República
18 de jun. de 2020, 17:18
— LUSA/AO Online
“Esta discriminação é intolerável e o Senhor
Presidente da Republica devia chamar a atenção pública sobre esta
questão, porque isto é uma distorção no funcionamento das instituições”,
declarou Miguel Albuquerque aos jornalistas, à margem de uma visita às
instalações da Madeira Agrícola, um centro de abastecimento na cidade de
Santana, no norte da ilha da Madeira. O
governante criticou a “pouca vergonha que se passou na Assembleia da
República”, na sessão de quarta-feira, durante a qual a deputada do PSD
eleita pela Madeira Sara Madruga da Costa não obteve resposta às
questões que colocou ao novo ministro das Finanças, João Leão, sobre a
concessão de uma moratória das prestações do empréstimo do Programa de
Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) do arquipélago. “Devia ter outro nome, porque de leão não teve nada. Teve medo de responder à deputada”, disse o social-democrata. O
governante realçou que a pergunta de Sara Madruga da Costa “foi
simples: porque é que o Governo nacional se recusa a prorrogar o
pagamento das prestações do PAEF à Madeira?”. A região, sublinhou, vive “uma situação de pandemia”, sendo
necessário dar respostas “às necessidades de uma grande crise económica,
social e sanitária”. O executivo regional
também questiona por que razão o Governo nacional “mete 850 milhões de
euros no Novo Banco, vai meter mais de mil milhões na TAP, autorizou
moratórias para os bancos, para os particulares e empresas, [mas] vai
obrigar a Madeira a pagar a prestação no dia 21 de julho, de 48 milhões,
ao Estado e mais outra em janeiro”. O
governante regional rejeitou argumentos relacionados com a regulação
europeia, sublinhando que “a União Europeia não interfere num empréstimo
entre o Estado e a região”. “Isso é uma
mentira, são tudo tretas e uma desculpa para os madeirenses serem
discriminados por um Governo que devia ter vergonha na cara”, opinou. Miguel
Albuquerque disse que “há três meses que ninguém fala” com o Governo
Regional e que mesmo o Presidente da República “parece não estar muito
interessado” no assunto. Miguel Albuquerque
sublinhou que está “à espera há três meses de uma autorização” para o
endividamento que permita fazer face aos efeitos da pandemia de covid-19
na região. “O Estado não vai fazer nada.
Isto vai ser feito com os recursos da Madeira e pago com os recursos da
Madeira. Não temos até agora nenhuma ajuda” da República”, insistiu. A
Madeira tem solicitado a moratória nas prestações do empréstimo do
programa de ajustamento contraído em 2012, no valor unitário de 48
milhões, que vencem em 21 de julho e janeiro, além da alteração da Lei
de Finanças Regionais que permita aumentar o endividamento por parte da
Madeira e Açores. Ambas as propostas estão em discussão na especialidade na Assembleia da República, após aprovação na generalidade no plenário. Entretanto,
a proposta de Orçamento Suplementar do Governo da República, aprovada
na generalidade na quarta-feira, suspende este ano os artigos da Lei das
Finanças das Regiões Autónomas relativos ao equilíbrio orçamental e aos
limites ao endividamento regional, para permitir respostas aos efeitos
da pandemia de covid-19. Em linha com o que
já tinha sido inscrito pelo Governo no Programa de Estabilização
Económica e Social (PEES), o documento prevê, “a título excecional,
autorizar o aumento do endividamento líquido da Região Autónoma dos
Açores e da Região Autónoma da Madeira, visando a cobertura de
necessidades excecionais de financiamento para fazer face aos efeitos,
diretos e indiretos, causados pela pandemia”.