Michelle Bachelet renuncia a candidatura a segundo mandato nas Nações Unidas
13 de jun. de 2022, 11:34
— Lusa/AO Online
"Numa
altura em que o meu mandato chega ao fim, esta 50.ª sessão do Conselho
será a última em que falarei", disse a ex-presidente chilena, de 70
anos, na sessão de abertura do Conselho dos Direitos Humanos das Nações
Unidas, que hoje arranca em Genebra, na Suíça.A
porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani, citada pela agência Associated
Press confirmou que Bachelet não irá procurar um segundo mandato de
quatro anos quando o atual terminar a 31 de agosto.O
atual mandato de Bachelet foi recentemente ensombrado pelas críticas à
sua resposta ao tratamento dado pela China aos uigures e outras minorias
muçulmanas.No início de junho, mais de
230 organizações de direitos humanos, incluindo portuguesas, exigiram a
demissão de Bachelet, acusando-a de “branqueamento de atrocidades”
durante a sua recente visita à China. Para
os ativistas, durante a deslocação Michelle Bachelet legitimou "a
tentativa de Pequim de encobrir os seus crimes usando o falso
enquadramento de ‘contraterrorismo’ do Governo chinês e referindo-se
repetidamente aos campos de internamento pela designação do governo
chinês: ‘Centros de Educação e Treino Profissional’ (CETP)”.Os
governos ocidentais e as organizações não-governamentais (ONG) dos
direitos humanos acusam a China de deter mais de um milhão de uigures e
membros de outras minorias muçulmanas em campos de reeducação.Os
ativistas pediram ainda ao secretário-geral da ONU, António Guterres,
para que não propusesse a renovação do mandato de Bachelet.O
diretor executivo da HRW afirmou que parte da culpa pela visita
fracassada de Bachelet à China é do secretário-geral da ONU, António
Guterres, por ter aceitado previamente os termos impostos por Pequim
para a visita da alta-comissária, quando esteve na capital chinesa por
ocasião da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.Kenneth
Roth declarou numa conferência de imprensa que a viagem de Bachelet à
China, entre 23 e 28 de maio, "não poderia ter sido melhor para o
Governo chinês, que se esforça para esconder as prisões em massa e os
abusos em Xinjiang", território autónomo habitado por várias minorias
étnicas, nomeadamente os uigures.O diretor
executivo da HRW afirmou que parte da culpa pela visita fracassada de
Bachelet à China é do secretário-geral da ONU, António Guterres, por ter
aceitado previamente os termos impostos por Pequim para a visita da
alta comissária, quando esteve na capital chinesa por ocasião da
abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.Guterres,
segundo Roth, mostra-se “mais fraco” quando se trata de criticar
Estados influentes em relação aos seus antecessores no cargo, como o
ganês Kofi Annan (que morreu em 2018) e o sul-coreano Ban Ki-moon.Antonio Guterres afirmou recentemente o seu apoio a Bachelet.