Michel quer aval a negociações formais em dezembro e incentiva alargamento em 2030
4 de out. de 2023, 08:56
— Ana Matos Neves/Lusa/AO Online
“Dezembro
deste ano será um momento importante. Será uma reunião difícil, um
Conselho Europeu difícil e não subestimaria os desafios, mas a Comissão
deverá publicar um relatório nas próximas semanas […] e o Conselho
Europeu de dezembro deverá tomar algumas decisões sobre a Ucrânia, sobre
a Moldova, se abrimos negociações”, disse Charles Michel, numa
entrevista à agência Lusa e outros meios europeus em Bruxelas.Dias
antes de um Conselho Europeu informal realizado, na sexta-feira, em
Granada pela presidência espanhola da UE e focado em reformas
institucionais com vista ao alargamento do bloco, o responsável disse
também esperar decisões em dezembro “sobre alguns dos países dos Balcãs
Ocidentais”, isto quando se prevê para início de novembro relatórios do
executivo comunitário sobre o cumprimento das reformas exigidas pelos
países candidatos.Caberá então ao Conselho
Europeu, em dezembro, “ver o que é que o relatório que a Comissão vai
apresentar vai colocar em cima da mesa”, acrescentou Charles Michel.“Demos
sinais claros nos últimos meses quando decidimos dar à Ucrânia o
estatuto [de país candidato]. Enviámos uma mensagem clara não só do
Conselho Europeu, mas também de muitos líderes a título individual, de
que precisamos de acelerar o processo e de fazer os esforços necessários
e o facto de que, na sexta-feira, […] todo o Conselho Europeu irá
discutir o futuro da UE tendo em conta a perspetiva deste alargamento é,
penso eu, um sinal muito forte”, elencou.No
que toca à Ucrânia e Moldova, que obtiveram em meados de 2022 estatuto
oficial de países candidatos à UE, o que se espera é que tenham, até
final do ano, ‘luz verde’ para início das negociações formais de adesão,
aval que obriga à unanimidade dos líderes europeus.As
negociações formais visam preparar um país candidato em termos de
adaptação à legislação e de aplicação das necessárias reformas
judiciais, administrativas e económicas.Depois
de ter assumido como objetivo a data de 2030 para alargamento da UE,
Charles Michel vincou na entrevista com a Lusa e outros meios de
comunicação europeus: “Mantenho este objetivo e este prazo, isto é
absolutamente claro para todos”.“Porque é
esta data é importante? Porque é um claro incentivo para todos nós nos
prepararmos e acelerarmos os esforços e, sem a indicação de uma data,
havia um objetivo comum, mas era fácil de procrastinar e não tomar as
decisões que são necessárias”, salientou o presidente do Conselho
Europeu.Num rascunho das conclusões sobre a
cimeira de Granada, a que a Lusa teve acesso, lê-se que “os países
candidatos devem intensificar os seus esforços de reforma, nomeadamente
no domínio do Estado de direito”, e a União “deve lançar as bases
internas necessárias para se preparar para o alargamento”.Charles
Michel disse ainda que “não é uma surpresa” que o combate à corrupção
deve ser “uma das principais prioridades” de países como Ucrânia para
entrar na UE.De momento, estão na ‘fila de
espera’ para entrar no bloco europeu – alguns sem progresso há vários
anos – países como Montenegro, Sérvia, Turquia, Macedónia do Norte,
Albânia, Ucrânia, Moldova e Bósnia-Herzegovina.O alargamento é o processo pelo qual os Estados aderem à UE, depois de preencherem requisitos ao nível político e económico.Qualquer
Estado europeu que respeite os valores democráticos comunitários e
esteja empenhado em promovê-los pode candidatar-se à adesão à UE, mas
deve para isso submeter-se a um processo formal.