Metsola trabalhará para “unir e não dividir” perante 109 eurodeputados da extrema-direita
17 de jul. de 2024, 11:57
— Lusa/AO Online
“Teremos de ver como é que
este Parlamento funciona. Se há algo que se pode dizer é que não há uma
diferença muito maior em relação aos parlamentos anteriores [em termos
de eleitos da extrema-direita], mas isso significa também a
responsabilidade de construir maiorias”, declarou Roberta Metsola, em
declarações a um grupo de jornalistas europeus de agências, incluindo a
Lusa, à margem da primeira sessão plenária do novo mandato, na cidade
francesa de Estrasburgo.Quando questionada
sobre o facto de, hoje, terem tomado posse 109 eurodeputados da
extrema-direita (84 do grupo Patriotas pela Europa e 25 da Europa das
Nações Soberanas), a responsável salientou que “só é possível criar
confiança se se tentar unir e não tentar dividir”.“Disso tenho a certeza, estou convencida e é com isso que vou trabalhar”, assegurou.Falando
à Lusa e outras agências de notícias europeias, Roberta Metsola
adiantou: “Veremos, mas no fim de contas, todos nós temos uma
responsabilidade para com os nossos cidadãos e, dentro de cinco anos,
teremos de voltar atrás para sermos reeleitos, para aqueles de nós que o
farão, e pedirão a sua confiança”.A
presidente do Parlamento Europeu, a maltesa Roberta Metsola, foi hoje
reconduzida no cargo até ao início de 2027, com uma maioria de 562 votos
e por aclamação, na sessão plenária da assembleia europeia.Conquistou 90,2% dos votos, a percentagem mais elevada de sempre para um presidente do Parlamento Europeu.A
maltesa tornou-se presidente do Parlamento Europeu em janeiro de 2022 e
assumiu o cargo de forma interina após a morte do anterior líder da
instituição, David Sassoli.Tornou-se na
presidente do Parlamento Europeu mais jovem e na terceira mulher no
cargo, depois de Simone Veil e de Nicole Fontaine. Foi também a primeira
cidadã de Malta, o país mais pequeno da UE, a presidir a uma
instituição europeia.Hoje, aos 45 anos, a
advogada de profissão volta a assumir o cargo para um mandato de dois
anos e meio, até meados de janeiro de 2027.Dado
o sufrágio e as recentes alterações partidárias no Parlamento Europeu, o
Partido Popular Europeu é o que dispõe de mais lugares (188), seguido
pelos Socialistas (136), pelo novo partido de extrema-direita Patriotas
pela Europa (84), Conservadores e Reformistas (78), Liberais (77),
Verdes (53) e pela Esquerda (46), de acordo com a mais recente
distribuição.Esta primeira sessão plenária
da legislatura, na qual tomam posse 720 eurodeputados - dos quais 21
portugueses -, será também marcada, na quinta-feira, pela votação do
nome de Ursula von der Leyen para um segundo mandato à frente da
Comissão Europeia.Escusando a antecipar a
votação, Roberta Metsola adiantou apenas que a sua eleição de hoje
“mostra que as maiorias podem ser grandes e que […] podem ter uma
orientação pró-europeia e para o futuro”.