Metade dos centros de contacto telefónico estão digitalizados e automatizados
4 de jun. de 2018, 09:12
— Lusa/AO online
De
acordo com um estudo da Associação Portuguesa de Contact Centers
(APCC), 45% dos centros de contacto já utilizam a tecnologia digital e a
automação e 85% dos que ainda não o fazem pretendem investir nessa área
no prazo de um ano.Esta
é uma das conclusões da 13.ª edição do “Estudo de Caracterização e
Benchmarking” da APCC, que contou com a participação de 89 linhas
diferentes, com 38.780 operadores. Relativamente
ao recurso a Inteligência Artificial, 43% das linhas participantes no
estudo assumiu estar já a fazer esse investimento e 68% das restantes
têm planos para avançar nesse campo no prazo de um ano.O
estudo permitiu ainda à APCC verificar que "globalmente os clientes
continuam satisfeitos com o serviço prestado pelos ‘contact centers’,
sendo, no entanto, necessário acompanhar de perto a evolução de alguns
indicadores operacionais que este ano apresentaram valores menos
interessantes".A
associação concluiu que o desempenho operacional sofreu "uma aparente
degradação", tendo em conta que o tempo médio de espera para ser
atendido pelo centro de contacto subiu no ano passado dos 24 para os 32
segundos, ao mesmo tempo que o tempo médio de pausa nas chamadas
aumentou sete segundos face ao ano anterior, fixando-se nos 38 segundos."Esta
aparente degradação da performance operacional pode ser justificada
pelo investimento em soluções digitais, pois se este canal suporta a
resolução de solicitações simples e rápidas é expectável que as
solicitações mais complexas (e tipicamente mais morosas) sejam
resolvidas pelos canais tradicionais, aumentando os tempos de
atendimento", considerou a APCC no documento.O tempo médio de atendimento em 2017 foi de 4,7 minutos, o que corresponde a um aumento de cerca de 40 segundos.A taxa média de resolução ao primeiro contacto aumentou um ponto percentual em 2017, passando para os 87%.Segundo
o estudo, a perceção de qualidade do serviço, avaliada pelo cliente,
foi igual à do ano anterior com uma classificação média de 75%.Os
dados relativos a recursos humanos, revelaram um aumento na proporção
de funcionários licenciados, de 32% para 37%, e vínculos laborais
maioritariamente estabelecidos através de contratos a termo (50%),
seguido pelos contratos sem termo (32%).Na taxa anual de rotatividade verificou-se um aumento de sete pontos percentuais, atingindo um valor de 20%.Nas
remunerações, 77% dos modelos utilizados "seguem ainda os modelos
tradicionais, ou seja, baseados em ‘pricing’ [preços] estabelecido por
atividades específicas (tarefas) como chamadas atendidas, horas ou
solicitações".Em 2017, o ordenado bruto médio mensal dos operadores foi de 769 euros.O
estudo anual de "Caracterização e Benchmarking da atividade dos Contact
Centers em Portugal", realizado entre 17 de janeiro e 16 de fevereiro
de 2018, teve como objetivo analisar o comportamento e principais
tendências do setor em Portugal. Foi
realizado com base num questionário ‘online’ dirigido a centros de
contacto sediados em território Português, pertencentes a diferentes
setores de atividade.