Metade das reféns libertadas passou mais de oito meses em túneis
Médio Oriente
27 de jan. de 2025, 11:30
— Lusa/AO Online
As
reféns “estiveram nos túneis mais de oito meses sem ver a luz do sol”,
disse o vice-chefe do corpo médico das forças armadas israelitas,
coronel Avi Banov.“Mentalmente, é muito difícil”, acrescentou, citado pela agência espanhola EFE.As
sete reféns libertadas no âmbito da trégua em vigor desde 19 de
janeiro, explicaram que os vídeos que o Hamas divulgou delas dentro do
enclave foram encenados.“Disseram-nos [as
reféns] que todos os vídeos encenados eram horríveis para elas. Elas
sabiam que os vídeos iam ser enviados para as famílias”, disse Banov.Liri
Albag, uma das quatro mulheres libertadas pelo Hamas no sábado,
apareceu num vídeo divulgado pelo grupo islamita palestiniano a 4 de
janeiro.Na gravação, que faz parte da
guerra psicológica do Hamas através dos reféns, Albag apela diretamente
ao Governo israelita, perguntando: “Querem matar-nos?”.Banov
disse que as mulheres libertadas chegaram à base de Reim, no sul de
Israel com uma ligeira desnutrição, baixos níveis de vitaminas e uma má
condição metabólica.A base é a primeira
paragem dos reféns quando saem de Gaza, onde se encontram com alguns
familiares, fazem os primeiros exames médicos e, a partir daí, são
enviados de helicóptero para um hospital em Telavive.Aí,
segundo o coronel, são aconselhados a não utilizar telefones e
televisões por enquanto, fazem o primeiro exame médico, tomam um lanche e
um duche antes ou depois de se encontrarem com os familiares.“A
maior parte deles tem algum tipo de ferimento de estilhaços. Alguns têm
amputações (...). Fisicamente, vão demorar muito tempo a
reabilitar-se”, contou o coronel Banov.Até
à data, sete dos 94 reféns que restam em Gaza abandonaram o enclave.
Todos eram mulheres jovens e os últimos quatro eram militares. Dos
251 raptados nos ataques de 7 de outubro de 2023, 87 permanecem em
Gaza (mais três anteriormente mantidos em cativeiro) e Israel calcula
que 35 estejam mortos. O Hamas entregou a
Israel no domingo à noite a lista dos reféns vivos e mortos entre os 33
que deviam ser libertados durante a primeira fase do acordo de
cessar-fogo, que começou a 19 de janeiro e durará 42 dias.Além
dos reféns, os militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200
pessoas durante o ataque sem precedentes que realizaram no sul de Israel
a partir da Faixa de Gaza, segundo as autoridades israelitas.Em
retaliação, Israel lançou uma ofensiva de grande escala contra Gaza que
matou mais de 47.000 pessoas até agora e provocou a destruição
generalizada do enclave palestiniano, segundo o Hamas, que governa o
território desde 2007.