Metade da atividade turística de algumas ilhas dos Açores está ilegal
Hoje 14:41
— Lusa/AO Online
Numa carta aberta ao presidente do Governo dos Açores, à secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, à diretora regional do Turismo e Infraestruturas e aos presidentes das câmaras municipais, a associação lamenta o exercício de “animação turística ilegal e a impunidade de quem não cumpre com licenças, seguros e obrigações fiscais”.“Em algumas ilhas, perceciona-se que cerca de 50% da atividade turística opere na ilegalidade, prejudicando empresas que trabalham para garantir rentabilidade, segurança laboral, postos de trabalho estáveis e qualidade de serviços”, escreve.“Na pesca desportiva, assistimos à presença de barcos estrangeiros que vêm para a atividade de pesca desportiva, como, por exemplo, o Big Game Fishing, que são ‘charters’, fretados a vários milhares de dólares, sem qualquer licença marítimo-turística, captam clientes das embarcações regionais e não deixam qualquer valor económico na região”, refere também.A organização refere que as inspeções “são ineficazes e se o resultado das denúncias é, na maioria dos casos, a inação”.As empresas estrangeiras, acrescenta, “organizam e preparam refeições do tipo piquenique sem qualquer sistema HACCP [sigla em inglês para Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos] implementado, realizam ‘tours’ em locais classificados como património da humanidade e em reservas naturais sem formação adequada, sem guias locais certificados e sem registo de animação turística, desrespeitando regras básicas de segurança, qualidade e concorrência leal”.A AREAT refere, por outro lado, que tem acompanhado com “crescente preocupação a consolidação de uma cultura de encerramento ou restrição prolongada de infraestruturas e acessos turísticos nos Açores”.Como exemplos, indica, na ilha de São Miguel, a interdição do acesso à Ferraria, o encerramento do trilho do Salto do Cabrito e as “dificuldades de acesso à zona de piquenique do Canário”, associadas ao “estado de abandono e descuido das casas de banho públicas”.De acordo com a associação, trata-se de uma prática que “tem impactos profundos e imediatos nas empresas do setor, na economia local, na ilha e na vida quotidiana dos açorianos”.As empresas afirmam ainda na carta aberta que as marinas da região “apresentam em muitos casos um estado avançado de degradação, agravado pela falta de manutenção regular e de investimento estruturado”.A AREAT pede “gestão, planeamento, investimento, manutenção contínua, fiscalização eficaz e uma visão de longo prazo”, bem como que se “regule em vez de proibir, que se controle em vez de interditar, que se cuide em vez de deixar degradar”.