Meta diz à Justiça Eleitoral do Brasil ter aperfeiçoado filtros de IA após polémica com Lula e Flávio

Brasil/Eleições

Hoje 12:36 — Lusa/AO Online

A informação foi transmitida durante uma reunião entre Nunes Marques, o vice-presidente do TSE, André Mendonça, e representantes no Brasil da empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp.Em comunicado, o TSE cita que a Meta informou que começou a trabalhar no aperfeiçoamento dos filtros da Meta AI na noite de terça-feira, após as duas campanhas terem sido afetadas «pela geração de conteúdos de inteligência artificial considerados inadequados».A reunião ocorreu um dia após a campanha do Presidente brasileiro, Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), acionar o TSE contra a Meta, acusando a plataforma de tratamento desigual entre os candidatos e de restringir o alcance de publicações ligadas ao atual líder de esquerda.Na ação apresentada ao TSE, a campanha de Lula afirmou que publicações da sua candidatura e de apoiantes teriam tido o alcance restringido, enquanto conteúdos associados à candidatura de Flávio Bolsonaro teriam recebido distribuição desproporcional.No fim de semana, a própria Meta reconheceu erros técnicos ao não impulsionar conteúdo da campanha do Lula e interrupções na contagem de visualizações, mas negou viés no algoritmo.Ainda na ação, a campanha de Lula cita a polémica com a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial disponível no WhatsApp, após testes realizados por utilizadores identificarem diferenças na geração de imagens a partir dos nomes e números dos dois candidatos.A campanha de Lula também reportou este problema com a Meta a observadores internacionais, entre eles a Organização dos Estados Americanos (OEA), ao falar de favorecimento a Flávio Bolsonaro e alegar suposta interferência estrangeira nas eleições.Ainda em nota, o TSE destacou que questão central é garantir uma «paridade de armas» entre as candidaturas presidenciais, para assegurar que os eleitores possam escolher livremente o seu candidato.Além da inteligência artificial, Nunes Marques e André Mendonça discutiram com a Meta a preservação de dados relacionados com mensagens publicadas em canais do WhatsApp para fins eleitorais, tema que também é alvo de uma ação no tribunal.A Meta informou que as mensagens dos canais não são criptografadas e comprometeu-se a preservar os metadados de publicações de campanha que sejam objeto de processos na Justiça Eleitoral, fornecendo-os quando houver ordem judicial.Segundo comunicado do TSE, a empresa comprometeu-se ainda a fazer esforços para impedir eventuais impulsionamentos de propaganda eleitoral realizados com moeda estrangeira e por apoiantes das candidaturas.Um relatório do NetLab, laboratório de pesquisa sobre estudos de internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado hoje revela que mais de 1.600 anúncios pagos do exterior expõem falhas da Meta.O NetLab conclui que a combinação de atuação de terceiros com financiamento estrangeiro «levanta indícios de violação das regras eleitorais e de interferência estrangeira», embora o próprio estudo ressalve que os anúncios identificados representam apenas uma parte do problema.A Meta recebeu até 2 milhões de reais, o equivalente a 353 mil euros no câmbio atual, pagos em moeda estrangeira, sendo que 99,5% foi em dólares norte-americanos.Além disso, aponta o NetLab, 98% das fontes pagadoras de anúncios estrangeiros na plataforma estão nos Estados Unidos.