Meta defende supervisão parental dos jovens nas redes sociais
Hoje 12:34
— Lusa/AO Online
Antigone
Davis, diretora global de segurança da empresa dona do Facebook e do
Instagram, realiza esta semana uma visita a Portugal para se encontrar
com decisores políticos e apresentar as ferramentas desenvolvidas para
proteger os menores de conteúdos desadequados nas redes sociais.No
centro dessas ferramentas, a empresa desenvolveu a chamada “conta de
adolescentes”, depois de um inquérito a milhares de pais em todo o
mundo, incluindo 1.500 em Portugal, sobre que salvaguardas queriam ver
implementadas.“Eles (pais) identificaram
três questões principais: com quem é que o seu adolescente está a
comunicar, que tipo de conteúdos está a ver e, como esperávamos, quanto
tempo passa nos nossos serviços”, explicou Antigone Davis num encontro
com jornalistas em Lisboa. Essas contas
permitem por exemplo que um desconhecido não possa enviar mensagens ao
adolescente, que seja o próprio jovem a aceitar que o pode seguir e que
as notificações sejam desligadas durante a noite. Estas contas são ainda
filtradas pela própria Meta para limitar conteúdos sensíveis,
designadamente de ‘bullying’, ajustável pelos pais através de
palavras-chave.As definições da conta não
podem ser alteradas pelo jovem, apenas pelos pais, que podem restringir
ainda mais a utilização pelo filho. “A
ideia aqui é que os pais sejam a nossa Estrela do Norte”, afirmou a
responsável da empresa, considerando que pode haver políticas da empresa
para todos os menores, mas que são os pais quem melhor sabe aquilo que é
necessário para o filho ou filha.Para a
Meta, devem ser os pais, quando adquirem um telemóvel para o filho, a
indicar a idade do utilizador e definir que aplicações ele pode
descarregar.Para que a supervisão parental
não seja uma intromissão na privacidade do jovem, explicou Antigone
Davis, há também salvaguardas. Por exemplo, os pais podem ver com quem
um filho troca mensagens e com que frequência, mas não o conteúdo das
mensagens. Estas salvaguardas, frisou, são importantes para que os pais
sintam que podem ter algum controlo sobre a atividade dos filhos, mas
também que os filhos não resistam à participação dos pais na experiência
online.Quanto aos anúncios, a Meta usa
dados como a geolocalização e a idade, não apresentando a um menor, por
exemplo, anúncios sobre dietas, muitas vezes apontados como causadores
de perturbações alimentares nos adolescentes. Dados que a empresa não
guarda, assegura. Daí a importância de serem os pais a criar a conta e
indicarem a idade do utilizador, o filho ou filha.Antigone
Davis acolhe positivamente a legislação aprovada em Portugal, que prevê
o consentimento parental através, por exemplo, da chave móvel digital.“Faz-se
isso (a verificação) uma vez, na ‘app store’ (a plataforma que permite
descarregar aplicações como o Facebook, o Instagram, entre outras) e a
‘app store’ regista essa informação para posteriores descarregamentos. É
melhor para o utilizador não ter de fazer a verificação a cada
descarregamento, porque a utilização repetida cria potenciais
vulnerabilidades”, afirmou.O parlamento
português aprovou em fevereiro passado um projeto de lei que restringe o
acesso a redes sociais para menores de 16 anos e exige consentimento
parental expresso para jovens entre 13 e 16 anos.“Desde
que lançámos as contas de adolescente, os nossos números mostram que os
jovens viram menos conteúdos prejudiciais, receberam menos contactos
indesejados e passaram menos tempos na aplicação”, disse, concluindo que
as ferramentas que criaram “estão a fazer progressos”.“E
o último ponto é mesmo importante. Sabíamos, quando lançámos a conta de
adolescente, que havia uma possibilidade significativa de jovens
passarem menos tempo na plataforma. E estamos ok com isso. As pessoas
pensam que tudo o que queremos é maximizar o tempo que os jovens passam
na nossa plataforma, mas tomámos a decisão naquele momento – queremos
proporcionar uma determinada experiência e se isso significa menos
tempo, está tudo bem”, assegurou a responsável da Meta.